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domingo, 16 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Política

Preocupado, Amorim pediu ajuda a Waldir Neves em indicação no TCE

15 setembro 2015 - 07h00Por Rodson Willyams

Megaempresário e pivô da Operação Lama Asfáltica, João Alberto Krampe Amorim, teria pedido ajuda ao presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Waldir Neves, para auxiliar a indicação de novo nome na Corte de Contas. O caso foi denunciado no Ministério Público Estadual, e é mais um que envolve Neves.

O documento, protocolado no MPE, apontou outros indícios que supostamente comprovam o envolvimento de Neves no grupo que desviou R$ 11 milhões dos cofres públicos no Estado.

Segundo a denúncia, que foi  protocolada de forma anônima na 26ª Promotoria de Justiça da Comarca de Campo Grande, um dos indícios que comprovaria a ligação de Neves com o grupo seria uma gravação feita pela própria Polícia Federal durante a Operação Lama Asfáltica, em que o empresário foi flagrado em grampos telefônicos conversando com o conselheiro em que demonstrava 'preocupação' sobre a nomeação para a vaga aberta de conselheiro no TCE/MS.

João Amorim teria ligado para o 'amigo de 30 anos' para que intercedesse sobre a indicação e acalmasse os ânimos, considerando que o ex-deputado estadual Antônio Carlos Arroyo estaria pressionado, inclusive o ex-governador André Puccinelli, do PMDB, para que fosse indicado para a vaga que seria aberta pelo conselheiro José Antônio Cabral, que apresentou o próprio pedido de aposentadoria no TCE/MS. Ato esse considerado mais tarde como irregular e o pedido foi indeferido.

De acordo com o inquérito da Polícia Federal, sobre a Lama Asfáltica, o fato despertou a preocupação de João Amorim, porque o ex-deputado ameaçava revelar todo o esquema de fraude em licitação o que poderia complicar muita gente. O ex-parlamentar teria um suposto dossiê que poderia comprometer as ações do grupo caso fosse entregue às autoridades. Preocupado, Amorim teria pedido ajuda ao 'amigo' para que desse uma força e acalmassem os ânimos. O empresário já sabia por meio do ex-secretário-adjunto de Fazenda, André Luiz Cance, que o ex-governador, embora indicasse o ex-deputado a vaga no TCE/MS, ele conseguiria ser conselheiro, justamente, porque o pedido de Cabral teria sido feito de forma irregular, e ele não conseguiria ser nomeado para vaga, como de fato ocorreu.

A denúncia aponta que o desespero era considerável e que o empresário chegou até a entrar em contato com outros conselheiros, como Osmar Jeronimo, e o ex-secretário do Ministério das Cidades, Edson Giroto, que também é alvo de investigação pela PF na Lama Asfáltica.

Amorim teria, inclusive, pedido ajuda ao advogado do grupo, Ary Raghiant, que defende causas das empresas Proteco, de propriedade do empreiteiro e foi o ponto de partida na operação da Polícia Federal; além da concessionária Solurb a qual os agentes da PF afirma que o empreiteiro seria sócio-oculto da empresa; LD Construções, do genro de João Amorim; e da Anfer, uma das proprietárias da Financial, em que o genro tem participação nos negócios, todas comandadas por João Amorim.

O mesmo advogado do grupo é o mesmo que defende o conselheiro com ações inclusive no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Este foi dos pontos alegados pela denúncia em que comprovaria a ligação de Neves com o grupo de João Amorim. 

Ligações

Conforme a denúncia, em escuta obtidas pela Polícia Federal, o advogado Ary confidenciou a Amorim, em conversa pedindo segredo, de reunião realizada com todo o Conselho e com Giroto para que o TCE/MS declarasse nulo o ato de aposentadoria de José Ricardo Cabral, sob o argumento de que o mesmo não poderia conceder a sua própria aposentadoria, pois o processo ainda estava sob a análise do corregedor. De fato, o que foi relatado ocorreu e o Conselho deliberou pela nulidade do ato, o que motivou as medidas judiciais que impediram a posse de Arroyo.

No entanto, conforme os grampos, Ary relata que Waldir Neves o auxiliou conseguindo um serviço junto a Prefeita de Miranda, utiliza-se de influência para obtenção de auxilio mútuo, de maneira a facilitar o patrocínio e a blindagem de seus membros, caso fosse judicializada qualquer situação, o que caracteriza o envolvimento de seus membros para a prática de crimes.

Por fim, o denunciante ainda lembra que o irmão de João Amorim, Sandro Beal, por meio de sua empresa Gerpav Engenharia Ltda – ME, financiou a campanha de Waldir Neves para deputado federal em 2006, conforme consta no sitio do TRE/MS. Este fato já seria um impedimento para que o conselheiro julgasse qualquer processos sobre os processos das empresas de Amorim que transitam na Corte Fiscal.