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Política

Inesperado: André Puccinelli completa 3 meses atrás das grades

Ele é acusado de usar empresa de fachada para arrecadar dinheiro de propina

20 outubro 2018 - 09h44Por Celso Bejarano

Completa, neste sábado (20), três meses o período de prisão do ex-governador André Puccinelli (MDB), do filho André Júnior e do advogado João Paulo Calves. Presos desde o dia 20 de julho passado, cumprem cárcere por terem sido acusados por lavagem de dinheiro.

Hoje, o recurso por liberdade dos três corre no TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), em São Paulo.

Antes, contudo, os advogados que defendem os detidos já tentaram soltá-los com apelações movidas no próprio TRF-3, STJ (Superior Tribunal de Justiça) e também no STF (Supremo Tribunal Federal). André Borges, advogado que defende Calves, disse que "o cárcere vem sendo usado de forma exageradamente incorreta".

Puccinelli, o filho e o advogado teriam criado, segundo o MPF (Ministério Público Federal), o Instituto Ícone de Direito, empresa que teria recebido dinheiro de propina.

Os defensores do ex-governador, filho e advogado, já fecharam o instituto e entregaram todo o saldo bancário da empresa, em torno de R$ 2,4 milhões à Justiça Federal, em Campo Grande.

Ainda assim, as cortes discordaram do pedido de liberdade. Pela acusação, o advogado João Paulo seria, no papel, o dono do instituto, no entanto, quem comandava os negócios ali movimentados seriam os Puccinelli, pai e filho. Ou seja, João Paulo seria uma espécie de laranja.

Embora preso, o ex-governador não deixou a política de lado. Ele seria candidato ao governo, largou a ideia depois de capturado, mas, ainda assim, chefiou reuniões políticas de dentro da prisão, no Centro de Triagem Anízio Lima, em Campo Grande.

Foi Puccinelli que indicou a senadora Simone Tebet para concorrer à eleição, mas ela desistiu dias depois. 

Daí, o ex-governador aconselhou o MDB a lançar Júnior Mochi, presidente da Assembleia Legislativa, escolha frustrada, pois o parlamentar nem sequer passou para o segundo turno.

Uma semana atrás, colunista do jornal O Globo noticiou que a ex-primeira-dama Beth Puccinelli teria ameaçado a contribuir com a investigação por meio da chamada delação premiada caso o marido permanecesse na prisão até o fim de outubro.

A notícia, contudo, foi contestada por Puccinelli por meio de um bilhete que teria escrito de dentro da prisão e entregue ao presidente municipal do MDB Ulisses Rocha, que é advogado.

No recado, Puccinelli diz que a mulher não tem nada a delatar por ele ser inocente.

DEFESA

André Borges, advogado que defende João Paulo Calves disse que há "recursos pendentes e novo acórdão do TRF-3 aguardando publicação. Comparados com nossa Justiça Estadual, órgãos federais são lentos, causando tristeza, ainda mais quanto a processos que deveriam ter absoluta celeridade, considerada a tristeza que é o cárcere".

"A defesa jamais vai desistir daquilo em que confia de forma absoluta, até em homenagem ao jovem advogado que representa: o cárcere vem sendo usado de forma exageradamente incorreta no Brasil; prisão preventiva deveria ser uma grande exceção, mas se tornou corriqueira, fácil de ser decretada e difícil de ser relaxada, quando o correto seria aguardar a defesa e a eventual formação da culpa, para só então prender; triste, mas tem a ver com os dias sombrios em que vivemos”, comentou o advogado André Borges.