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terça, 18 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Política

PT deixa base e diz que não quer 'migalhas' de Alcides Bernal

15 setembro 2015 - 11h31Por Rodson Willyams e Dany Nascimento

O prefeito Alcides Bernal, do PP, sofreu a primeira baixa política ao ter o principal aliado, o Partido dos Trabalhadores, fora da base aliada na Câmara Municipal de Campo Grande. O partido chegou até a cogitar, há alguns dias, ser vice de Bernal, caso o prefeito decida ser candidato a reeleição em 2016. Diante do impasse, os vereadores comentaram sobre a decisão nesta terça-feira (15), durante a sessão na Casa de Leis.

Segundo o vereador Marcos do Alex,que  pleiteava ser líder de Bernal na Câmara, o partido a partir de agora assume a posição de independente na Câmara, por justamente não concordar com a lentidão de Bernal, em definir o secretariado.

"Colocar um interino sem ter o corpo não adianta. Esse excesso de cuidado está prejudicando a administração dele. Ele não tem mais quatro anos, mas nós queremos ajudar a cidade", comentou Alex. Ainda assim, o parlamentar ainda afirmou mesmo o partido sendo independente, não descarta a possibilidade de ser líder. "Mas está complicado porque ele não deu retorno para o partido e que tudo indica, ele pode estar cometendo os mesmos erros de antes", alfinetou.

Outro petista que demonstrou insatisfação foi o vereador Airton Araújo que não concordou com o presidente interino da Câmara, vereador Flávio César, do PT do B, que convidou o prefeito para demonstrar a situação financeira da Capital, às 8h30.

Araújo disse que o horário iria 'prejudicar os trabalhos da Casa', mas foi interrompido por Flávio César que disse que o assunto é de interesse dos vereadores, e que Bernal deveria ter apresentado primeiro aos parlamentares e depois a população. Apesar das sessões terem horário para começar, às 9 horas, elas costumeiramente começam depois das 9h30.

No final da fala do petista, Araújo disse que o PT não precisa de 'migalhas' de Bernal. No entanto, ontem (14), durante coletiva de imprensa, antes do anúncio de deixar a base do prefeito, o vereador Alex do PT estava presente e até pousou para fotos ao lado do prefeito junto com a vereadora Luiza Ribeiro, do PPS.

A vereadora Thais Helena também comentou o caso e lembrou que o partido caminhou ao lado de Bernal e fez oposição a Olarte, mas que hoje não concorda com algumas posições adotada por Bernal, como por exemplo, a questão do secretário interino da Educação e que os professores fiquem sem receber. "A melhor questão seria chamar a classe e dizer sobre o que pode ser feito agora e futuramente, dar uma posição aos professores. Por enquanto, essa é a posição do partido que até o momento também não foi procurado pelo prefeito. O PT não quer secretárias nós queremos que for melhor da cidade", finalizou. 

Outras críticas - Os vereadores também aproveitaram a deixa para tecer comentários sobre a gestão de Alcides Bernal. O primeiro que disparou foi o vereador Paulo Siufi, do PMDB, que afirmou que o ex-secretário de Finanças e funcionário da Câmara, André Scaff, já tinha apresentado dados à Casa de Leis afirmando que a prefeitura não tinha dinheiro.

Porém, ele cobrou uma postura de Bernal sobre os professores. Ele lembrou que o vereador licenciado e atual secretário de Governo, Paulo Pedra, usava a tribuna para afirmar que a prefeitura tinha dinheiro para pagar a professores, e agora, que está na administração, cobra uma posição de ambos, para saber se irão pagar os docentes que entraram em greve durante a administração do prefeito afastado Gilmar Olarte.

A mesma posição foi adotada pelo vereador Chiquinho Telles, do PSD, que também concordou com Siufi e pediram uma posição tanto do prefeito quanto do secretário, em relação ao pagamentos dos professores. Chiquinho ainda declarou à reportagem que segue independente na Casa, mas apóia o que for 'bom para a cidade'.

Veja a nota divulgada ontem (14), pelo PT:

NOTA PÚBLICA


O Diretório Municipal do PT/ Campo Grande manifesta-se publicamente a respeito do nosso entendimento e posição frente à atual administração municipal. Nossa prioridade é ajudar Campo Grande a superar a grave crise político-administrativa. Esta sim é uma tarefa que nos cabe e com a qual temos compromisso.


O PT apóia e reconhece a legitimidade da administração do prefeito Alcides Bernal. O resultado das urnas nas eleições de 2012 expressou a vontade popular ao elege-lo prefeito de Campo Grande. Lamentamos a interrupção imposta quando a Câmara Municipal, com o voto de 23 vereadores da Casa, optou pela cassação do prefeito eleito.  Sustentamos politicamente a postura de denunciar o golpe que tirou o prefeito e,  nossos vereadores mantiveram-se como oposição no período em que Olarte foi prefeito, assinaram o pedido de comissão processante e participam da CPI das contas da prefeitura investigando o período de abril de 2011 a 2015.


Desta forma, nossa bancada municipal segue com o trabalho incessante, que expressa nossa posição e entende que o mais importante neste momento para nossa cidade é contar com o apoio dos nossos parlamentares, lideranças e militantes. Recuperar a normalidade política e administrativa do município. O PT discorda da política de interinidade, a instabilidade política do município não permite decisões dúbias e provisórias. Defendemos ainda que as negociações com os professores da rede municipal devem acontecer independente da decisão judicial. Propomos uma audiência publica para debater o contrato com a SOLURB, dentre outras ações emergenciais.


Nosso partido define que a bancada de vereadores terá uma posição independente e não pleiteamos compor a administração municipal. Campo Grande conta com o apoio do PT, da nossa bancada de vereadores, dos nossos deputados estaduais, deputados federais e o Senador Delcídio do Amaral para viabilizar as condições necessárias para a saída da crise pelas quais passa nossa cidade. Com destaque para os problemas da Saúde e Educação.


Campo Grande, 14 de setembro de 2015.


Assinam
Direção Municipal do PT e bancada de vereadores
Direção Executiva Regional – PT MS