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PT fecha portas para PMDB em outra rejeição a Nelsinho

Sem base

24 FEV 2014
Dirceu Martins
15h00min
Delcídio (PT) com mais campo de ação sem aliança comprometedora

Em recente reunião durante as comemorações dos 34 anos do Partido dos Trabalhadores, ficou patente a rejeição a uma coligação com  o PMDB no Estado para as eleições 2014. Num partido dividido em duas frentes e vários grupos, o representante maior da corrente mais radical, o ex-governador e atual vereador por Campo Grande, Zeca do PT foi enfático: "Sou absolutamente contra aliarmos ao PMDB. O André hoje é uma carniça. Carniça é bicho que já morreu e que fede.”

Presidente regional da legenda e mais moderado em suas declarações, o prefeito de Corumbá, Paulo Duarte ponderou que o momento não há veto a nenhum partido, pois é a oportunidade de diálogo. "Conversei com o com o Rui Falcão, presidente da Nacional, onde esclareci esse processo. Vamos buscar um caminho que seja melhor na eleição do Delcídio, com partidos que tenham afinidade. Isso tudo ficará mais claro depois de abril” disse Paulo Duarte.

Delcídio parece haver desistido de negociar com a cúpula peemedebista após oferecer a vaga de vice-governador e senador aos rivais, sem que as negociações indicassem um acordo concreto. O senador entende que o ex-prefeito e atual secretário de governo, Nelson Trad Filho tem forçado o partido a apoiar sua pré-candidatura, mesmo coma  clara rejeição do governador André Puccinelli (PMDB) e parte considerável dos filiados que temem a repetição da derrota à prefeitura da Capital.

Comenta-se que pesquisa de tráfego interno apontam Delcídio como favorito e o candidato Nelsinho Trad sem crescimento e não conseguindo impor seu nome no interior do estado. Também Simone Tebet, ainda que carregue um sobrenome forte na política regional, não tem conseguido angariar simpatias ou intenções de voto que lhe permitam conquistar uma cadeira no Senado.

Conversas

A posição petista pela chapa pura ou por uma coligação com partidos tradicionalmente aliados, como PDT, PPS, PCdoB no estado, vai na contramão do que pretende a cúpula nacional, que pretende evitar palanques divididos entre os aliados nacionais, que possam fragilizar ainda mais a reeleição da presidente Dilma Rousseff, que vem abalada pelos péssimos índices econômicos, os desencontros da organização da Copa do Mundo de Futebol, e o descaso no combate à corrupção.

Outro a descartar a possibilidade de coligação foi o senador Delcídio. “Acho que o PMDB colocou claramente as missões dele e a gente tem que respeitar. Agora a intenção deles é repetir esse modelo de 20 anos na prefeitura e oito no governo do Estado, então eu acho que esse assunto está resolvido”, avaliou.

Esperança tucana

A esperança de seguir em mares calmos rumo às eleições 2014, reside nos argumentos de convencimento da cúpula tucana para que Reinaldo Azambuja reforce o palanque tanto do PMDB quanto do PT. Forte liderança no estado desde que desenvolveu um excelente trabalho frente à prefeitura de Maracajú e, depois na Câmara Federal, o tucano alcançou um desempenho inesperado nas eleições à prefeito da Capital e ganhou, também, peso eleitoral significativo.

Cobiçado pelos dois virtuais candidatos, Nelsinho (PMDB) e Delcídio (PT), está nas mãos da direção nacional a aprovação, ou não, das coligações, uma vez que o PSDB nacional é oposição ao governo federal e não pode perder ou dividir palanque num estado que sempre deu maioria dos votos aos tucanos candidatos à presidência: Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e José Serra, novamente.

Reinaldo pretende concorrer ao cargo de Senador, no entanto como homem de partido, pode abrir mão de suas pretensões e lançar seu nome ao governo do Estado. O partido trabalha com pesquisas para analisar a viabilidade da empreitada e, pelo que se pode empreender por conversas entre caciques e chefes da tribo tucana, se a opção for pela coligação farão ninho na chapa do candidato petista.

PMDB sem chances

Se por um lado o governador André Puccinelli bate no cravo quando em eventos com a imprensa insiste que Nelsinho Trad é o  mais preparado para assumir o governo pela sua experiência administrativa, por outro bate na ferradura quando dá a entender que essa competência vem do fato de o próprio André comandar a administração à distância. E a água fria do balde cai sobre a candidatura Trad nas afirmações do governador de que é a favor da alternância de poder. Nelsinho, sempre presente aos eventos, disfarça e finge que não ouviu.

Já tendo perdido o PDT, do articulador João Leite Schimidt e com pouquíssimas condições de atrair os tucanos, Nelsinho vai se contentar em alimentar as ilusões e os cofres dos restantes pequenos partidos e suportar a incômoda adesão dos partidos de aluguel. É o que lhe resta, é o que lhe cabe.

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