Investigados na Operação Lava Jato por recebimento de ‘caixa dois’, os empresários Giovane Favieri e Armando Peralta Barbosa, donos da VBC, tiveram processo arquivado em investigação da ‘farra da publicidade’ em Mato Grosso do Sul. O inquérito civil tramitou na 30ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social e deve ser baixado definitivamente nos próximos dez dias.
O órgão estadual de fiscalização analisou “eventuais irregularidades em movimentações financeiras de pessoas físicas e jurídicas supostamente envolvidas com desvios de recursos públicos no Estado de Mato Grosso do Sul” através do NDEC (Núcleo de Desenvolvimento Estratégico de Comunicação Ltda), que possui os empresários como sócios.
Segundo o MPE, os dois já são alvos de outras ações.
Os empresários
Giovane e Armando atuaram na publicidade de três governos estaduais, o último deles foi o de Zeca do PT, que foi condenado pelo TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) por envolvimento em suposto esquema de desvio de recursos públicos com a emissão de notas fiscais de serviços publicitários fictícios, a ‘farra da publicidade’.
Fora da lista do MPE (Ministério Público Estadual), os empresários foram citados em depoimentos do pecuarista José Carlos Bumlai, preso em novembro de 2015 durante a Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato. Conforme Bumlai, a VBC recebeu dinheiro de ‘caixa dois’ para a realização de campanhas do PT.
Giovane até confirmou que recebeu um valor entre R$ 500 mil e R$ 600 mil, mas não do PT e sim do PDT, em 2004, durante a campanha de Dr. Hélio (PDT) para a prefeitura de Campinas. "Foram R$ 550 mil declarados [à Justiça eleitoral] e R$ 500 mil, R$ 600 mil por fora. É óbvio que parte do pagamento foi feito no caixa dois. Naquela época, não havia tanta preocupação com isso. Caixa dois era quase uma contravenção", afirma o produtor.
Outro sócio da produtora, Armando Peralta Barbosa, foi citado por Bumlai como participante das reuniões que trataram de um empréstimo de R$ 12 milhões em 'caixa dois' para o PT. Favieri diz não saber até hoje de onde veio o dinheiro que recebeu, mas afirma suspeitar que a operação com o Banco Schahin pode estar por trás do recebimento.
* Matéria alterada às 14h05 para correção de informações







