O resultado da enquete de pesquisa sem valor de amostragem científica realizada pelo site TopMídia News, mostrou que a população, em sua maioria, não acredita que a presença de evangélicos na composição da chapa possa atrair votos. Fica claro, então, que não se beneficiarão do voto “fé cega”, quando os eleitores votos por indicação de pastores ou líderes de evangélicos das várias denominações.
Apenas 19% dos leitores que participaram da enquete responderam que “sim”, os políticos poderão se beneficiar da presença de evangélicos em suas chapas nas eleições de 2014. A maioria, 72% responderam que “não” serão beneficiados e 9% entenderam que “o que importa é o trabalho político”.
Por não ter caráter científico e por apresentar apenas três opções de respostas abertas, ou seja, sem que possa traçar qualquer perfil de classe social, gênero, faixa etária, escolaridade, religião; podemos apenas intuir que no universo de 81% de leitores que participaram da pesquisa, devem existir evangélicos ou cristãos de outras denominações.
Quem ganha, quem perde
Ganha quem optou por manter a política dentro da política: as composições de chapas que priorizaram quem tiver maior bagagem e conhecimento dos assuntos ligados aos três poderes de Estado. Ainda que se questione que, mesmo nestas composições existam candidatos de fé evangélica, é bom entender que, ainda que se saiba, nenhum tenha se declarado ateu, portanto todos têm sua fé (e a professam ou não). O importante a se lembrar é que não usam dessa fé, não se apoiam unicamente na fé que professam para angariar os votos que os tornaram legisladores ou administradores do executivo.
O candidato Delcídio do Amaral (PT) inicia seu dia postando textos bíblicos nas suas páginas nas redes sociais, bem como reverencia festas e santos cristãos. Seus companheiros de chapa tem no currículo vasta experiência política e administrativa.
Rose Modesto, candidata à vice-governadora na chapa encabeçada por Reinaldo Azambuja, é reconhecidamente evangélica, no entanto nunca calcou suas campanhas amparada apenas pela sua fé, mas apresentou trabalhos sociais concretos e planos e projetos de mandato consistentes.
Mesmo caso da chapa composta por Vendramini, Virgínia e Alcides Bernal, que independente de sua fé apresentam projetos desvinculados dela.
Outros candidatos, com menores possibilidades, PSTU e PSOL, são de ideologias consideradas “de esquerda” e participam da eleição para, de certo modo, apresentarem aos eleitores opção de regime de governo com viés social intenso.
A chapa composta por Nelsinho Trad, ainda que conte com a experiência política e administrativa de seu candidato ao governo do Estado e sua candidata ao Senado, é a única coligação que buscou na vice-governadora o viés puramente religioso. Ainda que tenha serviços prestados à comunidade, a pastora Janete Moraes não tem experiência política ou administrativa.
Eu voto amém
Ainda que, reforçando, a enquete não tenha valor de amostragem científica, e ainda que os 19% que responderam que os eleitores sofrem influência da religiosidade do candidato, é bom ter em mente, até aos candidatos das proporcionais, que projetos devem ser apresentados e questões sociais, econômicas e administrativas devem ser contemplados em seus discursos e reuniões.
Se não for o caso, dividirão estes 19%, ou pouco mais, entre si, o que, num cálculo simples, estes votos não elegerão nenhum deles, porque ficarão divididos entre os muitos. E mais, caso consigam se eleger com o discurso religioso, serão cobrados pelos restantes 81% que entendem o Estado laico.







