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Política

02/07/2014 07:00

Querem impedir Bernal, mas ninguém quer dar o primeiro passo

Outro suspense

Após o anúncio feito pelo ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, do rompimento da aliança com o PT e lançamento de chapa pura para majoritária e proporcional, instalou-se uma correria entre os estrategistas e marqueteiros políticos das principais campanhas, PT, PSDB e PMDB, buscando entender o significado e, principalmente as consequências nas suas próprias campanhas.

O ex-secretário Cezar Afonso (PP), afirmou que o senador e candidato ao governo, Delcídio do Amaral (PT) foi a Brasília convencer o presidente nacional do Partido Progressista, senador Ciro Nogueira a, de alguma forma, impedir o registro da chapa de Vendramini e Bernal. Foi desmentido pelo PT e pelo próprio Delcídio.

Cezar Afonso foi a primeira vítima, pois conforme afirmou: “Vou esperar o Ciro se pronunciar e se ele achar que tenho que sair e vou para deputado federal, mas só se for com o PT.”Isso explica.

Sobre a impossibilidade de Alcides Bernal concorrer por haver sido cassado, o próprio Bernal respondeu quando da coletiva antes da convenção: “Meus direitos políticos estão garantidos, tanto é que eu sou presidente de um partido político. E mais, essa decisão tomada pela Câmara Municipal [de Campo Grande] através dos 23 vereadores é uma cassação criminosa, fraudulenta, discutida na justiça e que o Gaeco, inclusive, investiga.  A nossa candidatura está posta na convenção e, se homologada, estaremos pelas ruas, avenidas, bairros, vilas, cidades, por todo o Mato Grosso do Sul defendendo uma política de mudança efetiva.”

A respeito da posição da executiva nacional do partido, disse que tem o apoio da nacional com quem firmou o compromisso de “levar representação para o Congresso Nacional”. É improvável que a executiva nacional barre as pretensões de Vendramini e Bernal, quando confrontada com os 170 mil votos obtidos na Capital no primeiro turno das eleições 2012, que podem ser carreadas para candidatos apoiados pelo ex-prefeito.

Inelegibilidade

 

Especialistas em justiça eleitoral discordam sobre a inelegibilidade de Bernal. Alguns entendem que a Lei da Ficha Limpa suspende os direitos políticos a partir da cassação do mandato, outros têm o entendimento que apenas a condenação transitada em julgado no Supremo Tribunal Federal o tornaria inelegível. A morosidade da justiça faz supor que isso venha a demorar anos até que se tenha a decisão final.

A questão ficha limpa teria que ser repensada, também, a partir dos inúmeros processos aos quais responde Nelsinho Trad e, no entanto, não é questionado sobre uma possível condenação e a consequente perda, também ele, caso consiga sua eleição ao governo.

Delcídio e o PT

O senador Delcídio do Amaral, negou que, em algum momento tenha se proposto, ou aventado a hipótese de procurar o presidente nacional do PP para tentar reverter a candidatura Bernal. E finalizou: “Eu nem conheço esse Cezar Afonso".

Marcus Garcia, coordenador do programa de governo petista, foi mais incisivo: "Esse cara não pode ficar falando em nome do senador nem em nome do PT (...) ele não reconhece esse senhor Cezar¨

Talvez tenha havido exagero na negativa, ou uma forma sutil de pedir que não usem de seu nome para alcançar objetivos, porque segundo afirmou Bernal, “Eu não quero acreditar nisso [que Delcídio estaria tramando contra sua candidatura], mas também sei que o Cezar é muito amigo do Delcídio”.

As declarações mais coerentes e próximas da verdade vieram do deputado federal Antonio Carlos Biffi (PT), que vê como positiva para a candidatura Delcídio a candidatura de Bernal, uma vez que o mais atingido será Nelsinho, provável alvo dos ataques do pepista. “Ele terá espaço para falar sobre o golpe político, dessa forma ele expõe o candidato Nelsinho Trad” esclareceu Biffi.  

Desdobramento

Enfim, interessa a muitos que Bernal não obtenha o registro de sua chapa, ainda que não acreditam que o ex-prefeito consiga obter o mesmo desempenho de sua eleição para a prefeitura da Capital. De qualquer forma, sabem que o estrago será grande. Mesmo que tenha pouco tempo de exposição na TV, desde o fenômeno Enéas Carneiro – que recebeu 4,6 milhões de votos na sua campanha para a presidência em 1994, tendo apenas 1 minuto e 17 segundos.

Mas quem se habilita a perder parte de seu tempo de propaganda eleitoral gratuita explicando os motivos que levaram a dar o primeiro passo para impedir Bernal?

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