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Política

Renan critica Cunha por ‘paralisia’ de votações e por querer pressionar Senado

20 abril 2016 - 12h52Por O Globo

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), criticou nesta quarta-feira o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-AL), por ter avisado que não votará matérias de interesse do governo Dilma Rousseff. Renan disse que a "paralisia de votações" seria "muito ruim" para o país. O senador também demonstrou que ficou irritado com as críticas de Cunha ao calendário adotado no Senado. Renan disse que não deve haver interferência de uma Casa na outra. Na véspera, Cunha disse que não colocaria matérias em votação, brincando que, se colocasse, seria para derrubar.

Como O GLOBO mostrou na edição desta quarta-feira, Cunha ligou para o senador Romero Jucá para reclamar que Renan achou uma brecha que adiou para segunda-feira a criação da comissão especial do impeachment, quando ela deveria ter sido criada na última terça-feira.

— A paralisação da Câmara não ajuda o Brasil, esse 'locaute' não ajuda o Brasil, ele só atrapalha ainda mais a situação que já é muito ruim — disse Renan.

Renan repetiu várias vezes que não deveria haver um "locaute" (paralisia) no país e nem no Legislativo. Depois das declarações, ele se reuniu com o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa.

— Temos que separar as matérias de interesse do Brasil e as matérias de interesse dos governos, que são efêmeros. Eu não vou apostar aqui no 'locaute'. Enquanto a câmara decidia se dava ou não autorização, o Senado tocava sua agenda. Nesse momento do povo brasileiro, cada Casa pretender interagir a sua maneira, ou interferir na outra Casa, é muito ruim, porque ninguém vai se beneficiar do locaute, do agravamento da crise, do aumento do desemprego, do aumento da desesperança — disse Renan, acrescentando:

— O Senado vai, com responsabilidade, saber separar os interesses do Brasil, dos interesses de governos, que são efêmeros.

Renan disse que agirá de forma responsável no processo de impeachment. E deixou claro que estava incomodado com a pressão do grupo do PMDB mais ligado ao vice-presidente Michel Temer, que não gostou do calendário feito por ele.

— A autorização na Câmara foi de, todos os impeachments, a que mais demorou. E demorou exatamente pela judicialização (do processo). O Senado vai, com racionalidade e responsabilidade, cumprir os prazos que estão estabelecidos, para um lado e para o outro lado. O Senado saberá sempre distinguir os interesses do Brasil dos interesses do governo, que são efêmeros e passageiros — ressaltou Renan.

O presidente do Senado disse que terá "toda a responsabilidade que o país cobra dele". E lembrou que o ex-presidente Fernando Collor sofreu impeachment em 1992, mas foi absolvido no Supremo Tribunal Federal (STF).

— É preciso ter todo o cuidado. Na última vez que o Senado votou o impeachment, ele condenou por crime de responsabilidade, e o Supremo , na sequência, absolveu (Collor). Temos que ter muita responsabilidade com a história — disse ele.

Renan disse ainda que não havia "tensão" entre os partidos, apesar da reunião de ontem, e sim "posições divergentes".