As eleições de 2014 foi marcada pelo alto índice de abstenção dos eleitores, correspondendo a 23,13%, podendo ser comparado a um terceiro candidato em Mato Grosso do Sul. O índice foi apresentado pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado, desembargador João Maria Lós, que atribuiu o afastamento ao baixo nível das campanhas, principalmente na televisão, promovido pelos três principais candidatos, de um total de seis, que deferiam ataques pessoais no seus programas eleitorais e pelas redes sociais por meio da internet.
Na pré-campanha houve o ensaio de um 'namoro' de uma possível aliança entre o PT, do senador Delcídio do Amaral, e o PSDB com Reinaldo Azambuja. A vitória de Delcídio era apontada como certa nas eleições de 2014 e Reinaldo Azambuja formaria junto com Delcídio uma aliança para disputar a vaga de senado junto com Simone Tebet, do PMDB. O senador era visto constantemente em companhia de Reinaldo nas reuniões do programa desenvolvido pelos tucanos o Pensando MS pelo interior do Estado.
No entanto, essa aliança não foi concretizada devido as executivas nacionais dos partidos - rivais no cenário nacional - e que não permitiram algo considerado impensável em nível de Brasil. Delcídio ainda tentou convencer a presidente Dilma Rousseff da aliança que vetou em definitivo e o 'namoro do casamento' foi desfeito. Nacionalmente, e depois regional, o PSDB começou a atacar o PT e focou durante a campanha nos escândalos envolvendo os esquemas de corrupção na Petrobras e que eclodiu na última semana envolvendo o próprio partido denunciante.
Com os principais candidatos apostos, a eleição começou com o ex-prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho (PDMB) - isolado dentro do próprio partido; Delcídio do Amaral - com o principal nome para assumir o Executivo; e Reinaldo Azambuja - como azarão vindo como terceira opção e sem recurso se comparado com os dois primeiros candidatos. Reinaldo conseguiu levar para a sua candidatura apoio de diversos partidos que apostaram na sua vitória, uma vez que Delcídio seria imbatível já que teve o apoio da maioria dos partidos. O ex-prefeito cassado, Alcides Bernal (PP) veio concorrendo ao senado e teve destaque nas eleições.
Os ataques entre PMDB e PT, logo depois PSDB e PT, e o senador Delcídio sendo ofuscado após ter o seu nome envolvido nos escândalos da Petrobras, contribuiu para que a sua campanha declinasse diante das pesquisas eleitorais e Reinaldo despontasse agindo como uma válvula de escape pelos eleitores que rejeitaram os mandamentos da 'velha república', optando por algo novo para a administração.
As eleições no primeiro turno ocorreram de maneira tranquila, o PMDB apoiou o PSDB deixou o PT sem respaldo no segundo turno, já que nacionalmente petistas e peemedebistas são aliados tendo Michel Temer como vice de Dilma Rousseff. O segundo turno foi marcado por troca de farpas entre os ex-aliados e após a derrota as relações entre Delcídio e Reinaldo que antes eram amigos se quebrou ficando ressentimentos entre os envolvidos.
Presidenciáveis - Antes de ser vítima de um acidente aéreo, Eduardo Campos (PSB) esteve em Campo Grande, onde Nelsinho declarou o seu apoio ao candidato, rejeitando o apoio natural à presidente Dilma. Aécio Neves esteve por três vezes em Mato Grosso do Sul, sendo duas na Capital e uma em Dourados para apoiar Reinaldo Azambuja. E o ex-presidente Lula também veio ao Estado por diversas vezes para intensificar a campanha de Delcídio, mas que não surtiu efeito.
Sem apoio - Outro destaque especial está relacionado ao governador André Puccinelli, do PMDB, que desde o início da campanha se manteve 'neutro' apoiando a presidente Dilma e Simone Tebet para o senado. Nelsinho saiu derrotado da campanha porque uma forte corrente do seu partido estava ligado diretamente ao senador Delcídio do Amaral e o seu resultado nesta campanha já era esperado como ator coadjuvante nas eleições.
Resultado - O resultado final das Eleições 2014, elegeu Reinaldo Azambuja (PSDB) para o Governo do Estado, com 741.516 (55,34%) dos votos válidos, contra 44,66% (598.461 votos) do senador Delcídio do Amaral (PT). Dos 79 municípios do Estado, Reinaldo venceu em 44 municípios contra 35 cidades onde Delcídio venceu. Esta será a primeira gestão do PSDB em Mato Grosso do Sul, sendo uma opção da população que votou pela mudança. Já os votos brancos foram 22.109 (1,58%) e nulos 35.094 (2,51%). Os votos de abstenção foram de 23,13%, correspondendo a 420.367 de eleitores que não compareceram às urnas neste segundo turno.
Conforme o levantamento do TRE-MS, de 1º de junho a 26 de outubro deste ano, a Justiça Eleitoral recebeu 455 denúncias, destas 305 foram em Campo Grande. Dourados e Corumbá registraram 33 casos cada um, Três Lagoas ficou com 13 casos e Sidrolândia com 10 casos. Os demais foram registrados em 31 cidades sul-mato-grossenses.
A maioria dos casos, 125 estavam ligados a propaganda eleitoral por mensagens eletrônicas e telemarketing. Outras 91 foram com a colocação irregular de cavaletes, bonecos e cartazes; 76 casos de compra devotos; 49 de propaganda por meio de fixação de placas; 44 por distribuição de material gráfico e 31 de reuniões políticas.







