Vereadores diversos evitam falar em CPI da Saúde, a ser criada para apurar maus-feitos na gestão Adriane Lopes, em Campo Grande. Mesmo com a situação drástica em UPAs e hospitais, há quem ignore o problema e dificulte investigação que pode salvar vidas.
O proponente é o parlamentar Jean Ferreira (PT), que elenca, ao menos, cinco fatos graves para abertura da Comissão: desvio de finalidade de R$ 156 milhões na Sesau (Secretaria Municipal de Saúde); impasse sobre o contrato com a Santa Casa; falta de medicamentos nos postos; irregularidades no fornecimento de dietas e fraldas a mães atípicas e ambulâncias paradas no galpão do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência).
Tal situação na cidade parece não sensibilizar o vereador Francisco Veterinário (União Brasil). Ele acredita que o momento é de diálogo, mesmo com pacientes nos corredores de hospitais e outros alocados por semanas em UPAs, sem receberem assistência adequada, que só um hospital pode prover.
''Sou da comissão de Saúde e CPI para mim não existe'', justificou Francisco. Ele prefere que Adriane Lopes (PP) efetive alguém no cargo de secretário de Saúde para então fazer as cobranças necessárias.
''Com diálogo nós revolvemos todos os problemas da cidade'', garantiu o parlamentar que é da área da Saúde.
Mais um
O vereador Leinha (Avante) reduziu uma Comissão Parlamentar de Inquérito a interesses políticos-eleitorais e teme que alguém possa gerar desgaste à prefeita, que segundo ele trabalha pela cidade.
''Posso assinar algo que seja em benefício da população, mas se for para outros terem ganho político, não contem com meu voto'', disse o aliado de Adriane. Na mesma fala, Leinha reconhece que sequer há remédios nos postos de saúde da cidade.
Além dos vereadores que vivem na órbita da prefeita, ainda há a atuação do secretário de Governo, Ulisses Rocha. Este não sai da Câmara e tem atuado para minar qualquer chance de criação da Comissão.
Lutam pela saúde
Ainda fora da lista oficial, o vereador Lívio Viana já pensar em assinar o pedido. ''A saúde de Campo Grande está colapsada há meses e tem encaminhado para essa CPI da Saúde'', avaliou o parlamentar, que também é médico.
Ele destacou que aguarda concretização de compromisso da prefeitura em efetivar um secretário ou secretária para a Sesau para então assinar o pedido. Questão que sequer é mencionada por Adriane, que escolheu um comitê provisório para administrar a secretaria, sem previsão de oficializar alguém, o que indica também a dificuldade de alguém disposto a encarar a bomba-relógio.
Livio, no entanto, fez parte da CPI do Transporte Coletivo e refletiu que uma comissão investigatória tem condições de trazer possíveis maus-feitos à tona.
A vereadora Ana Portela (PL) – que tem certa proximidade com a base da prefeita Adriane na Câmara - elencou as dezenas de problemas na Saúde da Capital, entre eles a falta de medicamentos nas unidades. Porém, o fator mais grave e que tem puxado o apoio dela para a CPI é o desvio de finalidade de R$ 156 milhões da Sesau.
Flávio Cabo Almi (PSDB) avalia que tudo que é público e está ruim tem que ser investigado em comissão.
''A Saúde é o bem mais precioso que o campo-grandense tem. Não pode ter o mínimo sequer de dúvida sobre como está nossa saúde'', refletiu o tucano.
Jean celebrou o fato do número de assinaturas subir de cinco para seis neste momento. Os que desejam a investigação são: Jean Ferreira, o proponente; Marquinhos Trad (PDT); Ana Portela; Fábio Rocha (União Brasil); Flávio Cabo Almi e Luiza Ribeiro. O petista está otimista e crê que dias depois do retorno aos trabalhos em 2026 vai conseguir as assinaturas faltantes.







