O ex-presidente regional do PDT, João Leite Schimdt, foi escalado para costurar o acordo entre os dois grupos da legenda, que se separaram após discussão durante a convenção realizada na última sexta-feira (19). Ainda não há acordo, mas a tendência é conduzir o deputado federal Dagoberto Nogueira para a presidência, ao lado de um representante da chapa adversária.
Segundo o deputado estadual Beto Pereira, o grupo decidiu buscar o consenso, mas as divergências apresentadas durante a convenção representam o sentimento de parcela considerável da legenda. Em relação às críticas tecidas por Dagoberto, que creditou sua atuação ao desejo de concorrer à prefeitura de Campo Grande, ele afirma que as intenções não estão relacionadas.
“Eu acho que político é movido por sonhar. Sonhar todos temos o direito e a necessidade para sobreviver. Qualquer cidadão que quer ter êxito sonha, mas construir é no dia-a-dia, preciso de ter apoio, de pessoas que concordam com o meu projeto. Não sou candidato de mim mesmo. Aquilo que eu falei não era apenas a minha opinião, era da minha chapa a e me delegaram para ser o porta-voz”, enfatiza.
Escalado para ser o vice-presidente na chapa de Schimdt, o deputado Felipe Orro sinaliza que pode compor a executiva ao lado de Dagoberto como forma de manter a representatividade dos dois grupos. Segundo ele, o consenso já está sendo costurado, pois o partido precisa de manter a unidade se quiser sair vitorioso nas eleições municipais de 2018.
Discussão
O conflito ocorreu após uma mudança de última hora na chapa de consenso que iria compor a diretoria do partido. Os militantes deveriam registrar uma chapa de 70 nomes, mas Dagoberto alterou sete indicações apenas um dia antes da votação. Com a atitude, os deputados estaduais travaram a votação do diretório e lançaram uma nova chapa para concorrer a Executiva da legenda.
“Fui procurar o Dagoberto para questionar as mudanças. Ele disse eu sou presidente, o Carlos Lupi (presidente nacional do PDT) só me aceita. Foi o que eu ouvi do meu deputado federal. Onde fica o sonho daquele que pensa em alçar voos maiores? Não é esse o partido que eu sonhei em construir e sim o que deixa o militante falar”, alfinetou Beto, na ocasião.
Em resposta, Dagoberto classificou o discurso do correligionário como um “monte de besteiras” e afirmou que apenas não consultou Schmidt sobre as alterações, pois não conseguiu encontrá-lo em Campo Grande. Além disso, acusou o deputado de articular uma ação para “criar constrangimentos” na frente da direção nacional e do ministro do emprego e do trabalho, Manoel Dias, que esteve na Capital participando do evento.
“O PDT não tem dono, não leva, não entrega. Nós vamos tomar as nossas decisões na hora de tomar. Na Câmara estamos votando e ninguém coloca cabresto em nós. Nós tínhamos uma posição e ele [Beto] não ficou conosco, bandeou para o lado do governador eleito e eu fiquei até o fim com a posição do partido. Foi o Schimidt que me procurou e disse que não queria mais a presidência do partido, disse ‘estou com quase 80 anos, quero que você assuma’”, frisou.
Intermediando a discussão, Carlos Lupi sugeriu que o partido protocolasse uma chapa de consenso com 77 componentes, incluindo os nomeados que foram excluídos da primeira formação, que deve ser homologada na próxima sexta-feira (26). Até lá, os dois grupos podem entrar em consenso e escolher apenas uma chapa para a Executiva ou colocar em votação os nomes de Dagoberto Nogueira (presidente) e Sérgio Roberto Castilho Vieira (vice) contra João Leite Schimidt (presidente) e Felipe Orro (vice).
“O que a gente está discutindo aqui é pequeno perto do desafio que nós temos. A discussão é mais profunda. A discussão é sobre o que a gente quer do PDT em Mato Grosso do Sul. Por que antecipar 2018 para cá? Nós temos que nos preparar para o ano que vem. Nós temos que criar um ambiente de confiança recíproca, o que é difícil na política porque todo mundo pensa que o outro quer passar a perna. São amigos de anos se separando por um pedaço de sorvete, lambido ainda. Temos que discutir como a executiva pode contemplar todo mundo”, destacou.







