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Política

VÍDEO: seção judiciária chefiada por Odilon foi investigada por venda de armas apreendidas

Segurança da 3ª Vara diz que a mando do juiz buscava dinheiro apreendido no interior de MS

23 outubro 2018 - 13h10Por Celso Bejarano

Depoimento de Jânio Alves de Souza, agente de Segurança Judiciária, da 3ª Vara Federal, em Campo Grande, informou em depoimento ao MPF (Ministério Público Federal) que a seção judiciária, então chefiada pelo juiz federal Odilon de Oliveira, candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, pelo PDT, além de investigada por sumiço de dinheiro, também sofreu diligência por suspeita de venda de armamento. 

Declaração do segurança revela ainda que ele viajava a mando do então juiz para cidades como Corumbá, Dourados e Ponta Porã e lá pegava dinheiro em espécie de bancos da Caixa ou Receita Federal e trazia para Campo Grande, onde a quantia era guardada em cofre instalado na 3ª Vara, agência da seção judiciária por Odilon. Trechos do depoimento podem ser vistos neste material.

O segurança cita também que, em determinada ocasião, a Caixa informou que transferiria para a agência situada no centro da cidade todo o dinheiro depositado em conta judicial na agência do banco, que funciona dentro do prédio da Justiça Federal. 

No entanto, US$ 250 mil não seguiram este caminho, ou seja, a soma foi tirada do banco e mantida em cofre da 3ª Vara, por razões desconhecidas por ele. “E esse dinheiro sumiu”, afirmou o segurança em depoimento dado em 2016, ano que a corregedoria do TRF-3 descobriu o sumiço de R$ 11 milhões da seção judiciária conduzida por Odilon.

Jânio Alves disse que, em 1999, servidores do TRF-3 (Tribunal Regional Eleitoral da 3ª Região) vieram em Campo Grande para investigar denúncias indicando que havia um esquema de venda de armamento de dentro da 3ª Vara.

À época, armas apreendidas com traficantes, por exemplo, inicialmente iam para a Vara em questão.
“[correição foi feita] motivada por denúncia de que havia venda de armamento, mas a correição não detectou nada”, afirmou o segurança.

Jânio conta ter feito viagens para o interior do Estado por meio de “ofício” determinado por Odilon de Oliveira para trazer dinheiro. Tais somas tinham sido apreendidas com suspeitos que teriam praticados crimes federais, como tráfico de droga. 

Ou seja, Jânio traz o dinheiro em espécie ao invés de as quantias serem transferidas via banco.

O recurso, segundo Jânio, era entregue nas mãos de Jedeão, então chefe do cartório da 3ª Vara. 
Jedeão de Oliveira trabalhou na Justiça Federal por duas décadas e, em 2016, foi demitido por suspeitas de pegar dinheiro dos presos que eram confiscados e levados para a sessão judiciária.

Jânio Alves afirma também no depoimento que dentro da 3ª Vara Federal havia dois cofres: um numa sala perto do cômodo onde eram feitas as audiências e, outra, onde eram guardadas as quantias em dinheiro, num banheiro desativado. 

O segurança revela que ele a secretária de Odilon e Jedeão tinham acesso as senhas dos cofres. 

Jânio, conta, no entanto, que a senha do cofre que tinha dinheiro não era de seu domínio.

JEDEÃO

Jedeão de Oliveira foi demitido em julho de 2016, suspeito de ter desviado as quantias confiscadas. Neste ano, ele prestou declarações sustentando que ele seria inocente e que outras pessoas do lugar onde trabalhava tinham acesso aos cofres.

O MPF determinou a Polícia Federal investigue o caso. Jedeão acusa o juiz de negociar sentença. Odilon de Oliveira foi à PF e ele mesmo pediu para que o depoimento em questão fosse investigado. 

Jedeão foi contratado pela Justiça Federal para atuar em cargo comissionado por indicação do próprio Odilon. Os dois são primos distantes. Jedeão mudou-se de Estado alegando ter recebido ameaças ligadas ao caso.

Já Odilon de Oliveira desqualificou a denúncia afirmando que Jedeão aproveitou-se do momento político, já que tornou-se candidato ao governo estadual.