A secretária da Mulher, Liz Matos, ou melhor, a titular da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Liz Danielle Derzi Wasilewski de Matos Oliveira, que afirmou quando de sua indicação, que não era uma "dondoca", não compareceu à reunião pública do movimento de mulheres para discutir Políticas voltadas para mulheres.
Não fez falta, mas causou constrangimento ao governo municipal e cometeu, no mínimo, uma gafe.
Quando de sua indicação política para o cargo, a secretária Liz Matos declarou: “Fui criada em uma casa de políticos e sempre estive aberta para todos. Quando casei com o Paulo [Matos, ex-secretário de Projetos e ex-diretor presidente da Emha durante o governo de Nelsinho Trad, atual candidato ao governo do Estado pelo PMDB, indicado pelo deputado e ex-secretário Carlos Marun, coordenador da campanha de Edson Giroto nas eleições de 2012 e que responde a dois processos, junto com o ex-prefeito, em investigação do Ministério Público sobre acesso e/ou aquisição de casas populares da EMHA], andei com ele a cidade inteira, então, eu conheço tudo em Campo Grande”. E alegou que há 14 anos participa de reuniões às quintas-feiras com ‘um grupo de oração de mulheres na igreja, cuidando de mulheres e levando capacitação’.

Sobre o acontecido, a advogada Ana Patrícia Nassar, premiada por sua luta contra a violência contra as mulheres, publicou em sua página no facebook:
“Infelizmente a Secretária Municipal de Políticas Publicas das Mulheres não compareceu à reunião pública do movimento de mulheres para discutir Políticas voltadas para mulheres de nossa cidade. Aproveitamos a presença de tantas feministas de longa data na luta pelos direitos das mulheres para discutir questões pertinentes às novas politicas que serão implantadas em nossa cidade.”
No evento, foram discutidos problemas como dupla jornada de trabalho, salários menores para mulheres (ocupando o mesmo cargo e com capacidade igual ou maior que homens), assédio sexual, violência doméstica, falta de creches para deixar os filhos em horário comercial; dificuldades enfrentadas pela mulher e que dificultam seu ingresso, permanência ou ascensão no mercado de trabalho.

Os movimentos feministas, que preferimos chamar de humanitários, não têm sido atendidos, tanto que a exigem desde há muito a Delegacia de Atendimento, sem resposta do governo André Puccinelli (PMDB). Várias manifestações em prol do movimento “Delegacia 24 horas – DEAM – DEPAC – DEAJI” que objetiva reivindicar do poder público a implementação de atendimento 24 horas, inclusive nos sábados, domingos e feriados nas delegacias especializadas da mulher, criança e adolescente, não foram atendidos, mesmo tendo uma mulher como vice-governadora, a atual candidata ao Senado, Simone Tebet.
A Delegacia de Atendimento à Mulher registra diariamente cerca de 70 boletins de ocorrência com apenas três delegadas e, segundo o Ministério Público, os casos de violência familiar acontecem no período noturno, finais de semana e feriados onde há convívio doméstico-familiar intenso. “Existem uma carência no atendimento primário já que as delegacias especializadas não atendem nas 24 horas sendo os casos de violência doméstica-familiar serem encaminhados as delegacias de atendimento geral o que acaba gerando uma grande demanda de trabalhos, não oportunizando o cumprimento do ECA e da Lei Maria da Penha”, segundo a vereadora Luiza Ribeiro.
Quando da nomeação da “atuante” secretaria, o prefeito Gilmar Olarte explicou a escolha afirmando que Liz Matos faz parte do Partido Progressista, é preparada e com experiência e, vem de uma família tradicional na política do Estado, pois filha do ex-secretário de Administração no governo de Wilson Barbosa Martins e ex-secretário de Fazenda no governo de Ramez Tebet, Mauro Wasilewski, sobrinha do ex-senador Rachid Saldanha Derzi, prima do ex-deputado federal Flávio Derzi, casada com Paulo Matos. “Ela é membro da executiva nacional do PP, e está no meu partido há 20 anos. Por isso a escolhemos”, finalizou Olarte.
Seria salutar para o justo movimento das mulheres e benéfico para a imagem do governo municipal que a participante e ativa secretária, de agora em diante, participasse dos movimentos organizados, até para posicionar e orientar as ações de sua secretaria.







