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Política

Ex-subordinado acusa Odilon de encenar ataque que deu fama a juiz de MS

Jedeão Oliveira, ex-subordinado do juiz aposentado, diz que ameaças podem ter sido forjadas assim como fez Jail Azambuja

29 agosto 2018 - 09h53Por Celso Bejarano

Jedeão Oliveira, 49 anos, 22 dos quais dedicados ao cargo de confiança na Justiça Federal, em Campo Grande, disse em depoimento registrado num cartório de Bauru, interior de São Paulo, e entregue depois ao MPF (Ministério Público Federal) que as supostas ameaças contra o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira, candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pelo PDT, era “um grande teatro para que gerasse novas matérias televisivas”.

O ex-diretor Jedeão trabalhou na Justiça Federal graças ao então juiz federal, que negociou sua contratação, sem concurso público, com cargo de confiança, em 1995. Odilon de Oliveira empregou Jedeão, que se formara em Direito.

O emprego em questão seria um meio de agradecer o pai de Jedeão, que contribuiu com os estudos do juiz.

A amizade do juiz e Jedeão rompeu-se em julho de 2016, mês do escândalo na 3ª Vara Federal, chefiada por Odilon. De lá sumiram R$ 11 milhões, dinheiro apreendido com criminosos, geralmente ligados ao tráfico de droga.

Com o desaparecimento do dinheiro, Jedeão foi apontado como suspeito número 1 e demitido sumariamente. Agora, morando em outro estado por alegar ameaças, ele procurou o MPF, e prestou declarações em forma de delação premiada. Levantou suspeitas sobre o juiz.

O jornal Folha de S. Paulo publicou reportagem nesta quarta-feira (29) sustentada do depoimento de 23 páginas registrado no cartório paulista.

TopMidiaNews também teve acesso ao documento. Num dos trechos das declarações, Jedeão lança dúvida acerca das supostas ameaças de morte contra o magistrado. Por determinação do Conselho Nacional de Justiça, a segurança do juiz, mesmo aposentado, foi suspensa semana passada depois de duas décadas de duração.

Policiais federais faziam a segurança diária de Odilon. Veja trecho da fala de Jedeão, hoje nas mãos do MPF.

“Fazia parte também desse trabalho para se construir uma imagem, criar artifícios para que mostrasse que ele era um juiz federal ameaçado pelo tráfico. Nesse período em que no declarante foi diretor de secretaria da 3ª Vara pode observar somente uma ameaça real recebida pelo juiz federal e as demais (várias outras) sem muita concretude”, sustentou Jedeão Oliveira.

“Com o passar do tempo, o declarante observou que tudo aquilo podia fazer parte desse grande teatro, dirigido pelo magistrado, para que gerasse novas matérias televisivas. Sobre os tiros disparados contra o hotel de Trânsito (do Exército) em Ponta Porã, onde o magistrado estava hospedado quando respondia pela Vara Federal que lá tinha na época [década de 1990], o declarante diz que fato semelhante ocorreu com um juiz federal da cidade de Umuarama (PR). Tiros foram disparados contra a residência daquele magistrado e, após investigação séria da Polícia Federal daquele estado, constatou-se que tudo havia sido armado pelo próprio magistrado”.

Esse caso trata-se do envolvimento do advogado Jail Azambuja, que atuou aqui em Campo Grande e inclusive advogou para o ex-prefeito Gilmar Olarte.

Ele era juiz federal em Umuarama e foi forçado a aposentar-se depois do episódio dos tiros contra a casa de um colega, que também era juiz. Jail veio morar em Campo Grande, onde foi preso pela Polícia Federal por postergar o processo lá de Umuarama. Hoje, ele cumpre sentença no presídio Militar. De dia ele trabalha e, à noite, volta para o cárcere.

"O juiz federal de Umuarama era Jail Azambuja, amigo particular do juiz federal Odilon de Oliveira desde muito tempo antes dos fatos ocorridos em Umuarama e que, mesmo depois de ser afastado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e de ter retornado para Campo Grande, onde se tornou advogado, continuou sendo recebido pelo juiz federal Odilon em seu gabinete. Será que o magistrado de Campo Grande compartilhou com o magistrado de Umuarama e amigo de longa data a experiência bem sucedida que teve em Ponta Porã?”, afirmou Jedeão, deixando a entender que o juiz aposentado arquitetou o que seria um suposto ataque a tiros quando era juiz em Ponta Porã.

“Quem deseja matar ou intimidar alguém, vai até as dependências de um prédio militar e faz disparos a esmo? Se buscarmos as investigações da época será constatado que os tiros foram disparados de local seguro para o atirador e sem oferecer nenhum risco para a autoridade que supostamente sofreu o atentado. Mas, o roteiro da história foi passado para os órgãos de imprensa recheado de pontos que mostravam riscos incalculáveis para o magistrado. Daí que surgiu aquela imagem, que correu o Brasil nas redes sociais, onde o magistrado forrava um colchonete e dormia em seu próprio gabinete, em meio aos processos, por questões de segurança”.

Ao jornal Folha de S. Paulo, Odilon de Oliveira disse que o depoimento de Jedeão teria sido influenciado pelo momento político. Ele negou as declarações do ex-subordinado.