O governador Eduardo Riedel (PP) anunciou neste sábado (20) que um dos símbolos históricos de Mato Grosso do Sul, o Forte Coimbra, será totalmente restaurado. Ao lado do ministro da Defesa, José Múcio, e de autoridades militares, o chefe do Executivo estadual lançou a pedra fundamental da obra de restauração do monumento, que está orçada em R$ 19 milhões.
“Eu estive no Forte Coimbra para conhecer um pouco de toda a história. A gente não pode esquecer, em momento algum, da nossa origem, formação, de onde viemos. Vivemos um Estado em pleno desenvolvimento, com talvez os menores índices de desocupação do país, com crescimento acelerado do PIB, e empresas que estão vindo para Mato Grosso do Sul. Passamos por uma transformação, no eixo de segurança alimentar e de transição energética, e temos na sustentabilidade o grande ativo dessa transformação. Quando associamos sustentabilidade com a nossa história, que é um ativo imaterial, eu não tenho dúvida nenhuma de que aqui há um ativo com potencial fantástico”, disse Riedel.
Com 250 anos de história, completados nesta semana, o monumento foi construído em 1775, à margem direita do Rio Paraguai, próximo à tríplice fronteira com a Bolívia e o Paraguai, e foi tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1974.
Importante para a história do Brasil, o Forte de Coimbra, marco da engenharia militar brasileira, desempenhou papel estratégico na defesa do território durante a definição de limites entre Portugal e Espanha.
"A melhor forma de nós projetarmos o futuro é conhecermos a nossa história, respeitarmos os nossos heróis, e termos conhecimento de quanto foi difícil a luta por eles. Hoje é difícil chegar aqui, imagine naquela época cuidar das nossas fronteiras. Eu estou assim, extremamente orgulhoso. Parabenizo as Forças Armadas por cuidarem das nossas fronteiras. Temos muito que lutar por uma sociedade melhor, por um país mais justo, para que nossos filhos possam viver com mais dignidade. Eu conversei com o governador (Eduardo Riedel) e ele está entusiasmado em participar, e tem o acesso que também vai continuar pelo Pantanal, que está com metade pronta. Mas o importante é que cada um cuide da sua parte para que possamos fazer um projeto único que sirva ao povo de Mato Grosso do Sul, que sirva ao país e que sirva às futuras gerações", disse José Múcio, ministro da Defesa.
Ao longo de sua trajetória, a fortaleza testemunhou diversos conflitos, como a Guerra da Tríplice Aliança, em 1864, e se consolidou como base de apoio em operações das Forças Armadas no combate a ilícitos fronteiriços e na proteção do Pantanal, incluindo ações de prevenção e controle de incêndios florestais.
A propriedade da construção é do Exército, que mantém uma guarnição na área, que tem uma vila de moradores devotos de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do local, onde anualmente se comemora sua festa religiosa (16 de julho), uma das mais antigas do Estado.
Com a reforma ampla, o Forte estará apto a pleitear o título de Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), fortalecendo sua relevância histórica, cultural e estratégica.
Também participaram da solenidade o vice-governador José Carlos Barbosa (Barbosinha), os secretários Antonio Carlos Videira (Sejusp), Jaime Verruck (Semadesc) e Marcelo Miranda (Setesc), além do presidente do TJMS (Tribunal de Justiça de MS), desembargador Dorival Pavan, e o presidente da ALEMS (Assembleia Legislativa de MS), deputado estadual Gerson Claro, e outras autoridades militares do país.
História
A fundação do Forte começou em 1775, quando o capitão Matias Ribeiro da Costa foi designado pelo Capitão-General da Capitania de Mato Grosso, Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, para erguer uma fortificação estratégica que assegurasse a presença portuguesa e mantivesse os espanhóis afastados.
Inicialmente, o Forte, era modesto, com uma paliçada de troncos de carandá e construções cobertas de palha. Em 1797, o tenente-coronel Ricardo Franco de Almeida Serra assumiu o comando do Forte e projetou uma nova estrutura em pedra e cal, de forma inovadora e estratégica, adaptando a construção às curvas da colina à beira do rio Paraguai.
Em 1801, durante a guerra entre Portugal e Espanha, Ricardo Franco reorganizou as defesas com aproximadamente 50 soldados e 60 civis, enfrentando quatro navios espanhóis com cerca de 900 combatentes. Após nove dias de cerco, o Forte resistiu, consolidando sua importância estratégica.
Décadas depois, em 1864, o Forte voltou a ser atacado por forças paraguaias na Guerra da Tríplice Aliança. Com cerca de 150 militares, 20 indígenas aliados e famílias residentes, a resistência contribuiu para a sobrevivência de todos.
A imagem de Nossa Senhora do Carmo, erguida pelo corneteiro Verdeixas, surpreendeu os atacantes e a desistência do ataque foi atribuída à proteção divina. O Forte permaneceu sob domínio paraguaio por quatro anos e foi reconstruído em 1868 pelos brasileiros, nos moldes no qual se encontra atualmente.







