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Temer decide trocar até 70% do Conselhão e marca reunião para dia 21

Criado em 2003, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o Conselhão é um órgão de assessoramento do presidente da República

5 NOV 2016
G1
14h48min

O presidente da República, Michel Temer, decidiu trocar até 70% dos 92 integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, informou a Casa Civil, responsável pela organização do órgão.

Criado em 2003, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o Conselhão é um órgão de assessoramento do presidente da República.

O objetivo do grupo é ajudar o chefe do Executivo a elaborar políticas públicas capazes de fazer com que o país cresça economicamente e se desenvolva na área social. Cabe ao presidente da República escolher quem integrará o conselho.
A primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social sob a gestão de Michel Temer está marcada para o próximo dia 21, no Palácio do Planalto.

Pela manhã, está prevista uma reunião do Conselhão com o presidente e, à tarde, com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

O último encontro oficial do conselho foi em janeiro deste ano, ainda sob o comando da então presidente Dilma Rousseff.
Em julho, a secretária do Conselhão, Patrícia Souto Audi, se reuniu com Padilha no Planalto e, após o encontro, informou que eles haviam decidido esperar a conclusão do processo de impeachment para convocar uma nova reunião e definir os integrantes.

Integrantes
O Conselhão é composto por 92 pessoas e, segundo assessores do governo, uma lista com os nomes dos integrantes escolhidos por Dilma foi levada a Temer, em outubro, para ele avaliar que seria mantido e quem seria substituído.

A lista oficial com todos os integrantes ainda não foi divulgada, pois cinco pessoas ainda precisam confirmar se aceitarão ou não o convite de Temer. A Casa Civil, contudo, já informou que o ator Wagner Moura não participará mais do Conselhão.

Conhecido por interpretar, entre vários outros papéis, o policial Capitão Nascimento, no filme "Tropa de Elite", e o traficante colombiano Pablo Escobar, em "Narcos", Wagner Moura não chegou a participar da reunião do grupo no início do ano, porque estava na Colômbia gravando a segunda temporada da série.

À época, o governo justificou sua escolha por ser uma pessoa capaz de "enriquecer os debates" do conselho e por ser o embaixador mundial da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para a luta contra o trabalho escravo.

Outras trocas
Em 27 de outubro, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral, publicou uma mensagem em sua página no Facebook na qual disse ter recebido uma ligação do Conselhão informando que ela não faria mais parte do grupo, após, disse, uma "reformulação".

"No meu lugar devem estar 'notáveis' representantes da sociedade civil alinhados com o governo golpista. Fico imaginando quem serão os representantes", ironizou.

Assim como Carina, também em 27 de outubro, o escritor Fernando Morais utilizou sua página na rede social para dizer que havia sido excluído do Conselhão. "Será que essa gente imaginava que eu permaneceria no conselho de um governo espúrio e golpista como o do Temer?", publicou.

Além deles, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, ligado à CUT, também utilizou o Facebook, em 3 de novembro, para informar que havia sido "demitido" do conselho.

"Estou fora do Conselhão, órgão criado no governo Lula com objetivo de ouvir os diversos setores da sociedade, debater e sugerir projetos para o país. [...] O espaço destinado às lideranças identificadas com a classe trabalhadora só vai diminuir, na mesma medida em que avançam nesse governo as investidas contra os direitos trabalhistas e sociais", escreveu.

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