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Política

09/08/2015 08:00

Um mês após deflagração da Lama Asfáltica, população teme a impunidade de envolvidos

A Operação Lama Asfáltica, que apura a existência de uma organização criminosa por trás de irregularidades em licitações de obras públicas e o desvio de dinheiro para custear empreendimentos da Prefeitura Municipal e do Governo do Estado, foi deflagrada há exatos trinta dias, mas nenhum suspeito foi preso.

Pensando nisso, a reportagem do Top Mídia News saiu às ruas de Campo Grande para ouvir o que a população tem a dizer sobre o andamento das investigações. Entre os entrevistados, predominam os comentários no tom de receio quanto ao cumprimento da Justiça.

“Tem que esperar pela Justiça, né? Soube que o ex-governador [André Puccinelli] está metido nisso, pessoas poderosas... Pode até ser que dê em algo, mas considerando um bom tempo ainda, porque a Justiça é muito lenta no Brasil”, considera Gustavo Alves da Silva Neto, 44, funcionário público.

A sensação de impunidade é comum, em especial considerando que muitas figuras investigadas também já apareceram durante a Operação Uragano. “Acho que não vai dar em nada essa coisa toda, porque tem tanta gente boa que por fazer coisa pequena está lá preso. Funciona diferente pro rico, a Justiça é enrolada, eu não acredito não”, opina a auxiliar de cozinha Fernanda Dutra, 26 anos.

O mesmo acredita a vendedora ambulante Elza Gomes, 40 anos. “Ah, ninguém tá resolvendo nada, a polícia pune mesmo é quem rouba galinha. Infelizmente, é assim que funciona, pelo menos é o que acompanho nas notícias”, diz.

Foto: Deivid Correia

Mototaxista Joenilson da Silva - Foto: Deivid Correia

O mototaxista Joenilson da Silva, 25 anos, espera que os acontecimentos motivem uma maior reflexão ao escolher os representantes do governo. “Isso é uma pouca vergonha, se fossem pobres já estavam todos ‘ferrados’. Tenho acompanhado as notícias, espero que dê resultados, mas o povo que tem que acordar primeiro, entender que a coisa toda começa já nas eleições, escolhendo os candidatos honestos".

Para Lucas Sandro Seki, 23 anos, o “fechamento do cerco” deveria servir de exemplo para outras cidades. “Acho bom que pelo menos a investigação já está sendo feita, é um ótimo serviço da Polícia Federal. Se fosse fazer no país inteiro não ia sobrar ninguém solto, mas como toda lei tem brecha, sempre tem jeito do ‘bandido’ ficar na mordomia ou sair impune”, diz o jovem.

Foto: Deivid Correia

 "Se fosse fazer [investigação] no país inteiro não ia sobrar ninguém", diz Lucas - Foto: Deivid Correia

O trabalhador rural Jorge Cardoso da Silva, 49 anos, propõe alternativas que considera mais eficazes para a punição. “Já que não é fácil prender esse povo mentiroso, por que não pegam todo esse dinheiro deles e aplicam em hospitais, escolas, em coisas pra população? Você vê lá na Operação Lava Jato, os investigados ficam presos três dias e saem, mas o dinheiro roubado continua com eles”, argumenta.

Foto: Deivid Correia

 Jorge Cardoso, 49 anos, trabalhador rural - Foto: Deivid Correia

A operação


Deflagrada em 9 de julho pela Polícia Federal, MPF (Ministério Público Federal), CGU (Controladoria Geral da União) e Receita Federal, a operação já cumpriu 19 mandados de busca em residências de empresas de investigados e na Seinfra (Secretaria de Estado de Obras e Infraestrutura), além da apreensão de dinheiro. No mesmo dia, quatro servidores públicos da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) foram afastados dos cargos, sob a acusação de participação em desvios de verba do órgão.

Entre as residências que foram vistoriadas está a casa do ex-secretário do Ministério dos Transportes, Edson Giroto e a do empresários apontado com o principal mentor do esquema, o empreiteiro João Amorim, irmão da deputada estadual Antonieta Amorim (PMDB). Leia mais sobre os investigados aqui.

Nesta semana, vereadores admitiram a existência de uma pressão popular desencadeada após a Operação e o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) se comprometeu em fazer auditorias nas obras públicas sob suspeita, mas os resultados práticos ainda são mínimos. A expectativa é que os envolvidos sejam ouvidos ainda neste mês.

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