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segunda, 17 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Política

Vereadores lamentam vazamento de relatório sigiloso e rebatem denúncias

10 dezembro 2015 - 11h21Por Diana Christie e Dany Nascimento

O vazamento de informações sigilosas sobre o relatório da Operação Coffee Break, realizado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e em custódia do Ministério Público Estadual, irritou os vereadores investigados. Eles ainda não tiveram o acesso ao documento e reclamam da dificuldade em se defender sem conhecer as acusações.

Para o vereador Paulo Siufi (PMDB) existe muita “pirotecnia” na divulgação dos resultados do inquérito, inclusive em relação aos pedidos de afastamento de parlamentares no exercício do mandato e mandados de condução coercitiva, já que todos possuem residência fixa e não há comprovações de tentativas de obstrução das investigações.

“A Justiça tem que dar direito de ampla defesa a todas. Isto está previsto na Constituição Federal. A minha tristeza maior é que oitivas foram realizadas e não tinha necessidade de acontecer o que aconteceu. Cito o meu caso como exemplo, pois moro na mesma residência há quinze anos e bastava ser intimado para prestar esclarecimentos. Quando você vê essas informações com muita intensidade nos holofotes, não sei se é a Justiça que queremos. Mas a luz da verdade vai aparecer, tenho minha consciência tranquila porque isso não tira o meu sono”, relata.

Ex-presidente da Câmara Municipal, o vereador Mario Cesar (PMDB) afirma que não pode comentar o vazamento de informações, pois ainda não teve acesso ao relatório, mas aproveita para negar as acusações de possível participação em um esquema para cassar o prefeito Alcides Bernal (PP). Conforme o Gaeco, ele teria atuado diretamente junto com João Amorim para convencer os demais pares a votar pela cassação.

“Vivemos em um Brasil onde a democracia está sendo plenamente exercida. Isso faz parte do processo, mas essa instabilidade vem desde que tudo começou. A cassação foi legitima e, além de legitima, foi pública. Toda a imprensa teve acesso”, destaca em referência à CPI do Calote, que motivou o processo de cassação e à sessão de julgamento, onde todos os parlamentares declararam o voto abertamente.

Para Edson Shimabukuro (PTB), não restaram dúvidas de que Bernal cometeu crimes durante a primeira parte de sua gestão. “Isso surpreende. A gente, mais uma vez, fica sabendo das coisas pela mídia. O que eu posso garantir é que não existe nada que possa nos acusar e eu aguardo o arquivamento desse relatório. Eu era da base do Bernal, depois da conclusão da processante conclui que teria votar a favor da cassação pelos crimes cometidos”.

O mesmo tem a dizer Eduardo Romero (Rede). Ele destaca que os crimes ocorreram, foram investigados e o gestor punido por seus erros. Também nega as informações de que teria recebido propina para declarar voto favorável à cassação. Segundo ele, a suposta vantagem que receberia ao ser indicado para a Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Deselvolvimento Urbano) também foi cogitada na época de Bernal.