Após dois requerimentos serem aprovados pelos vereadores da Câmara Municipal, a sessão foi esvaziada pelos edis da base aliada quando o requerimento 057/14, de autoria da vereadora Luiza Ribeiro (PPS) entrou em pauta nesta terça-feira (02). Há um mês a parlamentar tentar aprovar o documento que solicita que ao prefeito Gilmar Olarte (PP) enviar todas as informações sobre o arrendamento do Hospital Sírio-Libânes. A votação do requerimento provocou debates e gerou polêmica entres os parlamentares, onde chegaram até envolver o ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal (PP).
Assim que entrou em pauta para discussão, os vereadores João Rocha (PSDB) - líder do prefeito, Chiquinho Telles(PSD) e Airton Saraiva (DEM) engrossaram o coro para que o requerimento não fosse aprovado. Dizendo que esteve reunido na tarde de ontem (01), com o prefeito Gilmar Olarte, João Rocha lembrou que o secretário municipal de Saúde, Jamal Salem (PR) esteve na Casa de Leis e se dispôs esclarecer qualquer dúvida sobre o arrendamento. "Todas as informações poderão ser esclarecidas sem a necessidade deste requerimento. Peço a todos que não votem este projeto", declarou o parlamentar.
Já o vereador Chiquinho Telles (PSD) lembrou que os parlamentares não têm mais problemas com administração municipal e que todos os secretários estão a disposição para prestar os devidos esclarecimentos. "Hoje nós não temos dificuldades com essa administração como era antes [Alcides Bernal]. O Jamal esteve aqui na semana passada e se prontificou fornecer esses documentos. Um requerimento desse só vai prejudicar ainda mais o andamento da secretária [Sesau]. Os funcionários terão que parar para poder responder as informações que estão no requerimento", comentou.

Em resposta, a vereadora Luiza Ribeiro (PPS) afirmou aos dois vereadores que os requerimentos não atrapalham e que eles são instrumentos criados para que os vereadores apurem as informações. Direcionada a Chiquinho Telles, a parlamentar informou que as Secretaria não seria paralisada. "Hoje nós temos um sistema existente que reúne um conjunto de informações que estão na ponta do dedo e é só imprimir. E não faz sentido também, eu ir ao gabinete do promotor no Ministério Público Estadual e pedir para ver as cópias que foram cedidas pelo Executivo. O MPE nunca faria isso, fornecer documentos para servir depois de inquérito para vereador", explicou.
Durante o uso da tribuna, Luiza ainda lembrou que durante a CPI da Inadimplência, a Casa de Leis recebia inúmeras caixas de documentos que eram frutos de requerimentos feitos na época por vereadores que faziam oposição ao ex-prefeito Alcides Bernal. "Agora eu não entendo, porque dois requerimentos foram aprovados antes e com este isto não acontece. Eu não estou contra o hospital, apenas quero ter acesso as informações que esta Casa não deixa".

Já prevendo que o resultado para aprovação do requerimento não seria votado, o vereador Paulo Pedra (PDT) aconselhou a vereadora a fazer um ofício para o Ministério Público Estadual e Federal para que tenha acesso aos documentos. "Possivelmente este requerimento não vai aprovado hoje porque está sendo negado pela Câmara Municipal. Peço a vossa excelência e eu assino junto, para que caso não seja aprovado, façamos um ofício para encaminharmos à estes órgãos para que eles busquem essas informações e nos deem, já que isso não vai ser possível pela Casa de Leis", declarou.
A vereadora Thais Helena (PT) lembrou que Luiza está quase há um mês pedindo para que este requerimento seja aprovado e sugeriu a parlamentar que entre em com um mandado de segurança para que possa ter o direito de legislar. "O requerimento é importante sim! E com toda essa dificuldade, a população e eu começamos a achar que existe coisa errada neste arrendamento. Qual é o problema de termos acesso a essas informações?", indagou.

Ainda durante a discussão, houve atrito entre a vereadora e Chiquinho Telles, que em dado momento, enquanto ela usava a palavra, o vereador falava ao lado atrapalhando a sua declaração. Incomodada com a situação a vereadora informou que isto seria "estratégia de um jogador desequilibrado". Revoltado, o parlamentar afirmou: "não sou um desequilibrado, mas acho que há um desequilíbrio aqui. Acho que alguém colocou um chip do mal em todos".
Enquanto a discussão seguia, alguns vereadores que estavam na sessão foram deixando o plenário. Assim que foi realizada a contagem de votos haviam 13 parlamentares, Ayrton Araújo (PT), Chiquinho Telles (PSD), Chocolate (PP), Loester Nunes (PMDB), Eduardo Romero (PTdoB), Herculano Borges (SD), Paulo Pedra (PDT), Paulo Suifi (PMDB), João Rocha (PSDB), Luiza Ribeiro (PPS), Thais Helena (PT), Vanderlei Cabeludo (PMDB) e Flávio César (PTdoB) que presidia a sessão no momento.
Obedecendo a lei que exige o quórum mínimo de 15 vereadores, a sessão ordinária foi comprometida e com isso foi encerrada por volta das 11h40. A sessão também iniciou tarde por volta das 9h40, inicialmente começa às 9 horas da manhã.







