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Marquinhos é desafiado a conquistar confiança dos vereadores na Capital

Prefeito eleito negocia ampliar suplementação de 5% para 30%, como era antes de Bernal

17 NOV 2016
Rodson Willyams
14h59min
Foto: André de Abreu

O prefeito eleito Marquinhos Trad, do PSD, deve enfrentar o seu primeiro desafio na Câmara Municipal, mesmo antes de se tornar prefeito de Campo Grande. Segundo o presidente da Casa de Leis, João Rocha, do PSDB, o novo prefeito terá que 'conquistar' a confiança dos vereadores. A declaração vem logo depois de Marquinhos anunciar que quer o mesmo benefício dado ao seu irmão, Nelsinho Trad, de 30% de suplementação, ao invés dos 5%, defendido por Eduardo Romero (Rede), vice-presidente da Comissão de Orçamento.

Romero afirma que não há razão para fazer tais mudanças no valor da suplementação ou remanejamento. "Não podemos ter dois pesos e duas medidas", dispara. Segundo ele, não tem que haver privilégios em relação às administrações anteriores, considerando que na era de Alcides Bernal, do PP, e até de Gilmar Olarte, sem partido, o valor defendido pela Câmara sempre foi o de 5%, ao contrário do que foi com Nelsinho Trad.

"O fato de ser 5% não engessa a administração, pode ser feito a movimentação, o que pode acontecer é ser diferente para gestões. Com o 5% só a aumenta a fiscalização, se ele quiser mexer, terá que comunicar a Câmara", destacou.  

Ao ser questionado se, no primeiro encontro com a equipe de transição de Marquinhos, o assunto foi debatido, Romero confirmou. "Cada um tem o direito de pedir o tanque que quiser, mas é direito da Câmara fazer o seu trabalho. O plenário vai avaliar, mas o que não pode haver são privilégios".

O parlamentar ainda lembrou que, para ao próximo ano, há previsão que o município perca R$ 500 milhões em arrecadação e que haverá necessidades de cortes. Sem contar que, segundo ele, a receita está comprometida em 54%. "Esse valor pode chegar a 60%, em relação ao piso dos professores, por exemplo", avisa. Isso indica que o valor com o gasto de pessoal por ultrapassar o previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Por isso, há necessidade de maior fiscalização pela Casa.

Confiança

No meio do fogo cruzado, o presidente da Câmara Municipal, vereador João Rocha, do PSDB, preferiu afirmar que não 'assume lados' e negou estar sendo 'escorregadio' sobre a questão. Ele afirma que o prefeito eleito, junto com a Comissão de Transição, tem procurado construir uma relação amigável com o Poder Legislativo, mas para que isso aconteça, é necessário haver 'confiança', algo que foi quebrado por Alcides Bernal.

"O Marquinhos deve conquistar a confiança dos vereadores, o papel da Câmara é fiscalizar. O Romero sustenta essa tese que defendemos durante esse período, uma vez, que também houve quebra de confiança", destaca.

O presidente ainda afirmou que a sua missão é buscar o equilíbrio. "Espero buscar o equilíbrio e o que for bom para Campo Grande". Por enquanto, Marquinhos segue com um ponto à frente em relação ao atual prefeito, uma vez que tem procurado estar sempre na Casa de Leis. "O que ele tem feito, tem nos agrado, mas estamos no processo de construção".

Por fim, Rocha revelou que a Câmara tem feito o seu papel e aprovando todos os projetos encaminhados pelo Executivo, seja por técnicos ou pelo próprio prefeito. "Mas vamos discutir amplamente na Câmara", pontua. E ainda nega que esse seja o primeiro embate de Marquinhos com a Câmara. "Aqui não se pensa em embate, mas sim em um entendimento. A população não aguenta mais isso", finaliza.

A Câmara tem até o dia 22 de novembro para encerrar as emendas que forem encaminhadas para o Orçamento de 2017. Enquanto isso, a discussão continua. 

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