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Zeca diz que o povo não acredita na culpa dos mensaleiros

Triste realidade

28 FEV 2014
Dirceu Martins
12h20min
Inocentes. Foto: Getty Imagens

O vereador José Orcírio Miranda dos Santos, Zeca do PT, ex-governador do Estado e ferrenho defensor do 'purismo petista' diz que a população nunca acreditou que os políticos recebiam dinheiro em troca de apoio ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e que o julgamento dos embargos infringentes que absolveram os mensaleiros do crime de formação de quadrilha, restabeleceram a verdade.

O petista, que durante seu governo chegou a acreditar que Lula apoiaria o lançamento de seu nome para a Presidência da República e, depois, que assumiria algum ministério no governo petistas, criticou as declarações que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa fez em relação aos colegas de corte.

O triste caso

 

Por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal absolveu, nessa quinta-feira (27), oito réus do mensalão do crime de formação de quadrilha que provocou no presidente daquela corte, ministro Joaquim Barbosa, uma reação de estafa cívica. “Esta é uma tarde triste para este Supremo Tribunal Federal, porque, com argumentos pífios, foi reformada, jogada por terra, extirpada do mundo jurídico uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012”, disse. [Veja vídeo]

O ministro Gilmar Mendes classificou como reducionista a argumentação segundo a qual o crime de formação de quadrilha só ocorre nos casos de crimes violentos. "Nada é mais ofensivo para a paz pública do que a formação de quadrilha no núcleo mais íntimo de um dos poderes da República", afirmou, lembrando que outro dos poderes, o Legislativo, foi submetido pelo esquema de compra de votos.

A alteração de sentença entre o julgamento inicial e o corrido agora se deu em função da alteração do quadro de ministros, com Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki, indicados por Dilma para os lugares de Ayres Britto e Cezar Peluso, que em 2012 votaram pela condenação dos réus por formação de quadrilha. Barroso e Zavascki foram decisivos para absolver os réus.

Celso de Mello, o decano da Corte, também fez uma sustentação em tom de desabafo. "A 'maior farsa da historia política brasileira' residiu, isso sim, nos comportamentos moralmente desprezíveis, cinicamente transgressores da ética republicana de delinquentes travestidos então da condição de altos dirigentes governamentais políticos e partidários, que fraudaram despudoradamente os cidadãos dignos de nosso país", declarou.

Antes de encerrar sua sustentação com a constatação fria de que 'esta é uma tarde triste para o STF', Joaquim Barbosa resumiu: "Ouvi até mesmo a alegação: 'Eu não acredito que esses réus tenham se reunido para a prática de crimes'. Há duvidas de que eles se reuniram? De que se associaram? E de que essa associação perdurou por mais três anos? E o que dizer dos crimes que eles praticaram e pelos quais cumprem pena?".

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