O coordenador de Apoio ao Tabagista do instituto, Frederico Fernandes, disse que o resultado da pesquisa foi surpreendente. “Nós imaginávamos, justamente, que uma pessoa que fumasse, na hora de receber o diagnóstico de câncer ficasse motivada a parar, pelo fato de ter desenvolvido uma doença relacionada ao tabagismo”, ressaltou.
Segundo o médico, apesar da vontade dos pacientes de largar o tabaco, o vício é muito forte. “Quando a gente conversa com esses pacientes, vemos que eles têm vontade, estão motivados, mas, pelo fato de ter um nível alto de dependência da nicotina, não conseguem parar ou reduzir”, contou.
A situação se agrava, de acordo com Fernandes, pelo fato de o cigarro ser uma válvula de escape de grande parte dessas pessoas ao lidar com situações difíceis. “E, muitas vezes, quando a pessoa recebe um diagnóstico como esse, acentua os traços de ansiedade. Com isso, ela acaba não conseguindo largar o cigarro por não conseguir canalizar a ansiedade contra a doença em outra coisa”, explica o médico.
Além de ser um fator que contribui para o surgimento do câncer, Fernandes destaca que o cigarro pode atrapalhar o tratamento. “Alguns tipos de quimioterapia têm menor eficácia quando a pessoa continua fumando e recebendo o tratamento”, enfatiza. Fumar também interfere na cicatrização e recuperação de cirurgias. “Se uma pessoa é submetida a uma cirurgia, parando de fumar ela tem uma cicatrização melhor e um pós-operatório menos complicado”, acrescenta.
Há ainda, segundo o médico, o problema da fragilização do sistema respiratório. “Uma das principais complicações que ocorrem no tratamento de câncer são as infecções respiratórias. E a pessoa que fuma tem chance maior de contrair uma infecção durante o tratamento do câncer”.
Por isso, o Icesp montou uma equipe para apoiar os pacientes que querem deixar o cigarro. “Nós temos uma equipe multiprofissional, composta por psicólogos, enfermeiros, nutricionistas e médicos, que vai dar um tratamento baseado tanto em medidas comportamentais, quanto em medicações, para tentar diminuir o vício”, detalha Fernandes.
Uma das principais linhas de atuação do grupo é, justamente, ajudar os fumantes a lidar com a ansiedade sem o tabaco. “Ensinar como lidar com as situações de problema, com o stress do dia a dia, sem precisar recorrer ao cigarro, coisa que muitos deles estão acostumados a recorrer desde a adolescência”, explica o médico.
Vídeo: Coral sem laringe canta contra o cigarro
Uma ação da JWT para o A.C.Camargo mostra um coral diferente no palco do Auditório do MASP, em São Paulo. Enquanto o público aguardava a apresentação do Coral da USP, o Grupo Sua Voz do A.C.Camargo Cancer Center subiu ao palco. O coral é composto por doze pacientes que, após o diagnóstico de câncer de laringe avançado, retiraram este órgão em uma cirurgia chamada laringectomia.
Acompanhados por fonoaudiólogos da instituição paulista, os pacientes interpretaram duas canções da famosa banda The Beatles - All you need is love e She loves you -, exibindo depois as placas com os dizeres “Escute a voz deste Coral – Não Fume”, emocionando o público presente. O tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de laringe, com 7 mil novos casos/ano no Brasil, segundo o INCA.
Os pacientes que compõem o Coral Sua Voz - a maioria acima dos 60 anos – fazem uso de voz esofágica, prótese, laringe eletrônica (vibrador), fala bucal ou articulação de sons. A segunda voz, coube aos fonoaudiólogos. “A combinação das vozes grossas dos pacientes, intercaladas com as vozes dos fonoaudiólogos, fica muito especial", diz Elisabete Carrara de Angelis, que é a coordenadora do Grupo de Apoio ao Paciente Laringectomizado Sua Voz e diretora de Fonaudiologia Oncológica do A.C.Camargo.
O Coral Sua Voz retornou nesta segunda, 9 de dezembro, em apresentação única e aberta ao público no Atrium do A.C.Camargo, em São Paulo. Além de comemorar o Dia do Fonoaudiólogo, a apresentação atraiu holofotes também para a maneira como a sociedade vê atualmente o convívio com os pacientes que retiram a laringe e fazem uso de métodos não convencionais de comunicação. "Ainda hoje, aqui no Brasil, as pessoas desligam o telefone quando ouvem alguém que se utiliza da laringe eletrônica, por pura desinformação. Isso não acontece em países cuja população é mais instruída sobre este assunto", destaca Elisabete Carrara. Ainda segundo a fonoaudióloga, há pacientes que estão seguindo um exemplo dos Estados Unidos e se organizando para criar uma associação nacional que pretende trabalhar em torno da criação do Dia do Laringectomizado Total. "Com isso, poderemos chamar a atenção da sociedade e romper paradigmas", acrescenta.
O Sua Voz não é um programa exclusivo dos pacientes atendidos no A.C.Camargo e sim voltado a todos os submetidos à laringectomia parcial ou completa estando ou não em tratamento em outra instituição. O convite estende-se a familiares e cuidadores desses pacientes. Mais informações em www.accamargo.org.br/sua-voz/.
O vídeo pode ser visto abaixo:
Confira:







