Diante do surto de febre maculosa em São Paulo e o receio da população de Mato Grosso do Sul, o médico PHD Julio Croda esclareceu que a doença infecciosa só é transmitida pelo carrapato-estrela, caso ele esteja infectado pela bactéria "Rickettsia". Isso significa que não é necessário entrar em pânico sobre as capivaras espalhadas em parques do Estado, mas há de se ter cuidado.
Mato Grosso do Sul não tem casos de febre maculosa e após divulgado que as capivaras são portadoras do carrapato-estrela, muita gente ficou achando que todos os carrapatos-estrelas que estão nestes animais podem transmitir a doença, e não é bem assim.
É preciso entender que primeiro os carrapatos têm que estar infectados com a bactéria do gênero para serem transmissores.
O médico infectologista e doutor em patologia, Julio Croda afirma que a população de Campo Grande e Mato Grosso do Sul deve se tranquilizar em relação às capivaras. Ele cita que há alguns anos a UFMS em parceria com a Embrapa e outras instituições fizeram pesquisa sobre o índice da bactéria "Rickettsia" na região e teve números baixos.
"Tem uma tese de doutorado da UFMS muito interessante e que coletou esses carrapatos desses animais e viu que a frequência da bactéria é muito baixa no Estado", disse ele ao MS1, mas que completou que é necessário monitoramento das capivaras.
"Mas a gente tem que continuar monitorando e investindo neste monitoramento que foi feito no passado pela UFMS. Assim a gente pode identificar se pelas mudanças climáticas essa bactéria pode se adaptar, ser introduzida, ou mesmo aumentar sua frequência nesses carrapatos. Porque isso acende um alerta que a doença pode voltar a acontecer aqui.
Ultimo caso de febre maculosa em MS ocorreu em Sidrolândia em 2018 e a pessoa veio a óbito.
"A nossa sorte é que a gente não tem muita bactéria infectando esses carrapatos aqui", completa.
Veja o vídeo:
Casos
O Brasil registrou 53 casos de febre maculosa ao longo deste ano, segundo atualização do Ministério da Saúde nessa quarta-feira (14). Desse total, seis evoluíram para a morte do paciente.
Segundo Agência Brasil, o Ministério da Saúde informa que distribui aos estados os antibióticos específicos indicados para o tratamento da febre maculosa, e promove ações de capacitação direcionadas às vigilâncias regionais. Além disso, a pasta diz que tem divulgado diretrizes técnicas e recomendações de conduta para os cuidados clínicos dos pacientes com suspeita da doença e de vigilância ambiental, além de materiais educativos para prevenção.
Como é a doença
A febre maculosa é uma doença infecciosa, febril aguda e de gravidade variável.
A doença é causada por bactéria do gênero Rickettsia, transmitida por picada de carrapato. Ela não é transmitida diretamente entre pessoas pelo contato. No Brasil, os principais vetores são carrapatos do gênero Amblyomma.
Conforme o Ministério da Saúde, a doença pode variar desde formas clínicas leves e atípicas até formas graves, com alta taxa de letalidade.
Sintomas
Os principais sintomas da febre maculosa são dor de cabeça intensa, náuseas e vômitos, diarreia e dor abdominal, dor muscular constante, inchaço e vermelhidão nas palmas das mãos e sola dos pés, gangrena nos dedos e orelhas e paralisia dos membros que começa nas pernas e vai subindo até os pulmões causando parada respiratória.
Prevenção
A prevenção da febre maculosa é baseada em impedir o contato com o carrapato. Portanto, em locais onde haverá exposição a carrapatos, algumas medidas podem ajudar a evitar a infecção: usar roupas claras para ajudar a identificar o carrapato; utilizar calças, botas e blusas com mangas compridas ao caminhar em áreas arborizadas e gramados; evitar andar em locais com grama ou vegetação alta e usar repelentes de insetos.
Além disso, o Ministério da Saúde recomenda a remoção - com uma pinça - se um carrapato for encontrado no corpo; não apertar, nem esmagar o carrapato e, depois de remover o carrapato inteiro, lavar a área da mordida com álcool ou sabão e água. Quanto mais rápido retirar os carrapatos do corpo, menor será o risco de contrair a doença.







