A população de Campo Grande tem sofrido a cada dia mais com a saúde. Devido à greve dos médicos, que negociam reajuste de salário com a prefeitura, o atendimento está demorando muito mais do que o normal. Alguns pacientes chegam a ficar aproximadamente 12 horas na espera para serem atendidos. Como se não bastasse todo caos, a Santa Casa da Capital restringiu, ontem (21), o atendimento no pronto-socorro para os pacientes graves que precisem da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e respiração artificial.
A equipe do Top Mídia News percorreu UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) da cidade, para investigar como está a situação das pessoas que precisam receber uma atendimento médico. Segundo a gerente da UPA do bairro Universitário, Patrícia Vadez, o atendimento ainda está sendo priorizado para os pacientes que são considerados de urgência.
"Pela demora, muitas pessoas estão desistindo, a prioridade é a necessidade do paciente. Nesta sexta-feira ainda está tranquilo, mas ontem, um paciente chegou aqui às 6h da manhã e só foi atendido depois 17h", disse.
Ainda no bairro Universitário, a reportagem encontrou a auxiliar de limpeza Maria Aparecida, 46 anos, com uma paciente que estava há horas esperando atendimento e ainda não tinha noção de quando iria ser atendida. "A greve não está errada porque os médicos estão reivindicando um direito deles, mas a demora está grande", lamentou.

A auxiliar de limpeza Maria Aparecida de 46 anos, não critica a greve, mas diz que precisa de muita paciência para esperar. Foto: Geovanni Gomes.
Na UPA da Vila Almeida, o transtorno é o mesmo, com a greve dos profissionais, o atendimento também está priorizado. Segundo a diretora da unidade, Dirce Dominoni, o atendimento que anteriormente era feito no máximo em quatro horas, agora passa de seis. "As pessoas reclamam, mas buscamos explicar o motivo e somos sinceros em dizer que o atendimento realmente vai demorar, muitas desistem", ressaltou.

Segundo a diretora da UPA da Vila Almeira, Dirce Dominoni, o atendimento que anteriormente era feito no máximo em quatro horas, agora passa de seis. Foto: Geovanni Gomes
Para o pintor Fernando Cardoso, 42, que estava buscando uma consulta com o médico da unidade da Vila Almeida, disse que saiu de casa por estar com a pressão alta, mas como seu caso não era considerado grave, não sabia até quando ficaria esperando. "É complicado, pressão não é brincadeira, entendo a greve, mas a vida da população fica turbulenta", disse.
Do outro lado da cidade, na UPA do bairro Coronel Antonino, conversamos com a dona de casa Osair Gonçalves 62 anos, que estava há mais de duas horas na espera de passar por um médico, mesmo com fortes dores nas pernas, o estado de saúde da idosa também não era 'grave'. "Já me avisaram que vai demorar, só estou aqui porque a dor está muito grande", explicou.

Mesmo com fortes dores, a dona de casa Osair Gonçalves 62 anos, estava há horas na espera. Foto: Geovanni Gomes.
Santa Casa
Segundo o presidente da ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande) Wilson Teslenco, o hospital comunicou ao Serviço de Atendimento Móvel Urgência (Samu) para não encaminhar pacientes em estado grave que necessitem de leitos e Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e respiração artificial.
"Restringimos os pacientes críticos que estão precisam de respirador artificial, ainda não sabemos o porque a demanda aumentou tanto. Ao todo, 96 leitos das Santa Casa estão lotados", disse Teslenco.







