O Conselho Municipal de Saúde de Campo Grande visitou a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário no dia de 13 de janeiro de 2026, encontrando várias irregularidades.
Em um documento, encaminhado a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), no documento encaminhado oficialmente ao secretário Marcelo Vilela, o Conselho afirma que a unidade apresenta um “quadro persistente e grave de fragilidades” que compromete a segurança dos pacientes, a integridade dos trabalhadores e a qualidade do atendimento prestado à população.
Segundo o relatório, os problemas não são pontuais, mas estruturais e sistêmicos, exigindo medidas imediatas da gestão municipal. Entre as situações mais críticas está a falha na climatização da unidade. Diversos ambientes seguem sem ar-condicionado funcionando, inclusive setores sensíveis como sala de vacina, sala de isolamento e a central de esterilização. O documento aponta ainda que há equipamentos novos armazenados há meses, sem terem sido instalados.
A vistoria também identificou sérios problemas na estrutura física do prédio. Infiltrações, goteiras, retorno de água nos ralos, umidade, mofo e bolor foram encontrados em diferentes áreas, inclusive em ambientes considerados sensíveis, como a sala de coleta de exames, o que representa risco sanitário tanto para pacientes quanto para profissionais.
Outro ponto levantado pelo Conselho é a falta e a precariedade de equipamentos essenciais ao atendimento. Faltam monitores multiparamétricos, esfigmomanômetros, oxímetros, balança de triagem, termômetros, equipamentos infantis, além de computadores obsoletos, camas sem grades e mobiliário deteriorado. O relatório também registra desabastecimento frequente de medicamentos, inclusive injetáveis de uso crítico, e de insumos básicos, o que tem levado trabalhadores a usarem recursos próprios para não interromper o atendimento.
A carência de profissionais é descrita como “significativa”, principalmente entre enfermeiros e técnicos de enfermagem, sem qualquer reserva técnica, o que sobrecarrega as equipes e aumenta o risco de erros assistenciais. Além disso, serviços importantes, como o de radiologia, ficam parcialmente inoperantes no período da tarde por falta de profissionais.
Uma das situações mais alarmantes apontadas no documento é a permanência prolongada de pacientes na UPA. Segundo o Conselho, pessoas chegam a ficar de 15 a 20 dias em leitos de urgência, o que é incompatível com o perfil da unidade e gera improvisações consideradas indignas e inseguras.
A área de segurança institucional também foi duramente criticada. O relatório aponta que não há controle adequado de acesso às áreas de repouso e à copa dos servidores. De forma ainda mais grave, o Conselho registra que todas as fechaduras eletrônicas dos repousos foram compradas com dinheiro dos próprios trabalhadores, diante da ausência de providências da administração pública.
O documento relata ainda um episódio de tentativa de assédio contra uma servidora, ocorrido meses atrás, quando um homem teria acessado a área de repouso por uma janela. Mesmo após o caso, a janela segue sem tranca adequada, fechada de forma improvisada com um parafuso, situação classificada pelo Conselho como “absolutamente incompatível” com padrões mínimos de segurança e proteção aos trabalhadores.
Apesar do cenário crítico, o Conselho reconhece que, no dia da visita, a UPA estava limpa e que houve relatos de melhoria na organização interna e no diálogo com as equipes após a chegada da atual gerente da unidade. No entanto, destaca que esses avanços locais não são suficientes para resolver problemas que dependem de decisões e investimentos da administração central.
Diante disso, o Conselho Municipal de Saúde exige da Sesau uma série de medidas urgentes, como a regularização imediata da climatização, correção de falhas estruturais, reposição de equipamentos, medicamentos e insumos, reforço do quadro de pessoal, regularização das redes hospitalares, implantação de controle formal de acesso e segurança nas áreas restritas, além da abertura de apuração administrativa sobre os fatos relatados.
O órgão também solicitou que a Secretaria encaminhe uma resposta formal, detalhada e com prazos definidos para cada providência, para que o controle social possa acompanhar de perto as ações adotadas.







