Uma denúncia encaminhada à reportagem pelo aplicativo WhatsApp, aponta mais um descaso com a Saúde Pública em MS. Fotos mostram várias unidades de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) neonatal deixadas no tempo pelo Governo do Estado.
O servidor, que pediu para não ser identificado informou, que os equipamentos foram abandonados em um almoxarifado da SES (Secretaria Estadual de Saúde) no ano passado - ainda na gestão do governador André Puccinelli (PMDB). Em Mato Grosso do Sul, apenas duas cidades tem leitos dessa modalidade pelo SUS.
Nas fotos é possível identificar várias UTIs neonatais, mas não saber o número exato de unidades. A quantidade também não foi informada pelo servidor, nem o local de origem desses equipamentos. A reportagem apurou que cada UTI custa em torno de R$ 40 mil.
Em todo o estado, somente duas cidades possuem esse aparato na rede pública de saúde: Campo Grande e Dourados. Na Capital são 10 UTIs neonatais na Maternidade Cândido Mariano, 10 do Hospital Regional, 8 na Santa Casa e 6 no Hospital Universitário.
Entretanto, desse total, apenas as 16 vagas disponibilizadas pelo HU e Regional são exclusivas para atendimento SUS. Isso porque, Santa Casa e Cândido Mariano também recebem pacientes de convênios e particulares, fazendo uma inversão de valores onde o SUS é que dá suporte à rede particular de saúde.
Já em Dourados são 10 leitos de UTI Neonatal disponibilizadas pela rede púbica, no Hospital Universitário. Com a polarização dos aparelhos, todas as outras 77 cidades sul-mato-grossenses enviam pacientes para Campo Grande e Dourados, inclusive a rede particular.
A inversão se tornou evidente quando em 2014, o então secretário de Saúde Antônio Lastória revelou que nos casos de leitos de UTI Neonatal, ‘qualquer necessidade da rede privada, eles vão buscar no SUS’. O único hospital da rede particular que disponibiliza atualmente UTIs neonatais em todo o Estado é o El Kadri, com 10 leitos.
Caos na Saúde
A pouca quantidade de leitos de UTI neonatal se torna evidente com as notícias veiculadas na mídia. Em julho de 2014, o jornal Correio de Corumbá divulgou a notícia “Gestante de MS aguarda vaga de UTI neonatal com filho morto na barriga”, relatando o caso de uma gestante de 17 anos de Corumbá, gravida de gêmeos, que ficou com um dos bebês morto na barriga aguardando vaga, já que em na cidade onde residia não há o serviço pela rede pública. No fim, a vaga surgiu em Dourados e um dos filhos sobreviveu.
Em abril de 2013, gêmeos morreram por fata de UTI. A mãe, Ingrid Soares, de 20 anos, de Nioaque, chegou ao hospital de Maracaju por volta das 17h em trabalho de parto. Os bebês tiveram problemas respiratórios, passaram a noite com enfermeiras bombeando oxigênio e quando a vaga saiu no outro dia pela manhã, eles não resistiram e morreram a caminho de Campo Grande.
Em janeiro de 2014, o jornal Dourados News publicou uma matéria intitulada ‘Denúncia aponta superlotação e falta de estrutura na UTI Neonatal do HU’, na qual relata que apesar de 10 leitos, 14 bebês estavam internados, número acima da capacidade que colocaria a vida dos recém-nascidos em risco. Além disso, denúncia apontava falta de recursos materiais essenciais como respiradores mecânicos e recursos humanos.
Outro Lado
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde na quarta-feira da semana passada, dia 18 de fevereiro, para saber sobre as UTIs neonatais que estão no almoxarifado e solicitou os laudos que informam o que ocorreu com os equipamentos . Contudo, não houve resposta até o fechamento desta edição.







