Em apenas cinco meses, o Mato Grosso do Sul já registrou 13.702 casos de dengue, de acordo com o último boletim epidemiológico n° 11 divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde. O número já é maior que a soma de casos registrados em todo ano de 2014, quando 9.256 foram contabilizados. No entanto, a epidemia é ainda mais alarmante, já que muitos casos da doença ficam de fora da contagem.
De acordo com o doutor em medicina tropical e coordenador do escritório da Fiocruz no Estado, Rivaldo Venâncio da Cunha, a maioria dos casos com sintomas brandos da doença não constam nos dados divulgados. Ou seja, a epidemia é ainda mais grave. “Principalmente pela lotação nos postos de saúde as pessoas com sintomas mais brandos não suportam uma espera de 4 ou 5 horas em um posto de saúde e acabam fora dessa conta”, explica.
Na noite desta terça-feira (28) o professor Jucinei de Almeida Pereira, de 40 anos, morreu sob suspeita de dengue hemorrágica. Ele estava internado na Santa Casa desde o último dia 22. Se confirmada a suspeita, esta será a terceira morte por dengue no Mato Grosso do Sul.
Ainda de acordo com Rivaldo, mesmo conhecendo o ciclo da doença e os meses em que a epidemia se alastra, falta uma ação eficaz na cadeia da transmissão da doença. Para ele, a vacina seria a principal saída já que acabar com as condições de reprodução do inseto que transmite a doença não tem sido suficiente.
“Este ano a epidemia foi ainda mais grave por conta de, por exemplo, problemas com o abastecimento de água. Em São Paulo as pessoas precisam armazenar água e nem sempre o fazem da maneira mais segura”, diz ao referir-se à condição básica para a reprodução do mosquito que é a agua parada.
A partir deste mês, as mudanças climáticas naturais no país minam aos poucos as condições de vida do inseto, logo, a infestação deve diminuir. “Estamos entrando em uma época de redução da quantidade de chuva e de diminuição da temperatura, que não são as melhores condições para o desenvolvimento do mosquito”, afirma. Entram em cena, com as novas condições climáticas, as doenças respiratórias que também lotam os postos de saúde.
Mortes
Quatro mortes por dengue até o momento já foram confirmadas pela Secretária Estadua de Saúde. Em 11 de fevereiro, uma menina de 12 anos teve a morte por dengue confirmada. A segunda morte foi confirmada em 25 de fevereiro no munícipio de Paranhos, a 456 km de Campo Grande quando uma mulher de 37 anos morreu.
Falta estrutura
Indispensável em qualquer posto de saúde, o soro fisiológico é mais um item na extensa lista de medicamentos em falta na rede municipal de saúde. De acordo com servidores, o estoque da substância se esgotará totalmente em dez dias.
Em tempos de epidemia de dengue - em que cada paciente precisa de pelo menos 2 litros diários para manter a hidratação - a situação é altamente preocupante e compromete toda rede de saúde, da emergência às farmácias. (Leia aqui)







