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Em MS, anualmente, a cada 100 mil pessoas, oito são suicidas

Preocupante

2 DEZ 2013
Schimene Weber
06h00min
Foto: Reprodução/Massimo Lorenzini

Em novembro deste ano, os departamentos médicos e policiais de Mato Grosso do Sul registraram mais de dez mortes causadas por suicídio. No Brasil, de acordo com o Datasus (banco de dados do Sistema Único de Saúde), nos últimos 25 anos houve um aumento de 30% de números de suicídio e, no estado, a cada 100 mil pessoas, de 6 a 8 cometem suicídio anualmente.

As estatísticas revelam a extensão de um problema que costuma afetar, principalmente, pessoas entre 15 e 24 anos e que, por tal incidência, acabou por se tornar a terceira principal causa de morte em plena vida produtiva.

No último dia 26, em Campo Grande, um garoto de 15 anos cometeu suicídio no bairro Jardim Pênfigo. O fato, que chocou toda a família do jovem e boa parte da população da Capital, foi provocado por um quadro de depressão que o adolescente apresentava desde a separação da mãe e do padrasto.

Procurando trazer à população um mais amplo conhecimento sobre o assunto, que ainda é visto como um tabu social, a equipe do TopMídia News conversou com a psicóloga Patrícia Oliveira Borges, de 27 anos, Especialista em Clínica Infantil-Adolescente pelo IPP – Instituto de Pesquisas Psicossociais, que explicou o funcionamento da mente de uma pessoa que, por um ou outro motivo, tira a própria vida. “Em todos os casos, quando existem ideações suicidas, significa que a pessoa está passando por um sofrimento psíquico muito grande, em que ela se vê sem recursos para resolver aquilo que a está perturbando, independente da causa”, disse.

A especialista ainda explicou que o suicídio pode ser considerado o rebaixamento da pulsão de vida,  termo usado por Freud para representar as ligações amorosas que são estabelecidas com o mundo, com outras pessoas e com nós mesmos. “É como se, mentalmente, o indivíduo não tivesse recursos para resolver o conflito que está perturbando o seu funcionamento psíquico. Então, fantasiosamente, a melhor solução encontrada é acabar com a própria vida, o que é o movimento antinatural do ser humano”, esclareceu.

A profissional reafirmou o levantamento feito pelo Datasus, e esclareceu para a reportagem que o grande número de suicidas concentra-se na juventude. “Eles passam por uma fase de muitas descobertas, onde buscam a própria identidade: o que desejam, os grupos com que vão se identificar, a futura profissão. A idade mais crítica vai dos 13 aos 16, onde existem as mudanças físicas, de personalidades, de responsabilidades. É o preparo para entrar na vida adulta que, muitas vezes, causa o choque”, explicou.

O que passa pela cabeça de grande parte das pessoas é o questionamento sobre “o que pode ser feito para que esse tipo se situação seja prevenida?”. A psicóloga explicou que a atenção dos responsáveis é um fator determinante para que as ideações não tenham um final trágico, como na maioria dos casos registrados. “Os pais ou responsáveis precisam ficar atentos para mudanças comportamentais: rendimento escolar, qualidade da alimentação, sono, isolamento repentino, agitação anormal. Caso qualquer uma dessas mudanças sejam notadas, é necessário estabelecer um diálogo, principalmente em situações onde a ligação entre pai e filho está distante. Impor limites, estimular o jovem a dizer o que o está incomodando, a dizer o que gosta e o que não gosta, ajudar a conter os impulsos agressivos que são próprios do desenvolvimento do ser humano. Essa atenção é realmente necessária”, disse.

Ela ainda orientou que, caso seja encontrada a resistência, é preciso que o responsável busque imediatamente uma ajuda profissional. “Se a pessoa não permite que o diálogo aconteça, é preciso procurar por um psicólogo e, se o psicólogo achar prudente, é necessário procurar uma ajuda psiquiátrica, porque pode se tratar de um transtorno, uma doença mental, que será tratada com a parceria entre os medicamentos e uma psicoterapia”, finalizou.

Ajuda – Quem passa por esse problema, muitas vezes, prefere se isolar. No Brasil, há o canal de atendimento do CVV (Centro de Valorização da Vida), que trabalha 24h, voluntariamente, para evitar que tragédias como estas aconteçam. O contato pode ser feito, anonimamente, através do telefone 141, ou pelo site www.cvv.org.br.

A psicóloga que contribuiu com a reportagem atende, gratuitamente, na prefeitura do município de Nova Alvorada do Sul, interior do estado, e possui consultório particular na Capital, na Rua Alagoas, Jd. dos Estados, 196.

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