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quinta, 01 de outubro de 2020
Saúde

Homem quase morre após ficar com "sangue branco"

Médicos aplicaram tratamento milenar para ajudá-lo a retirar o líquido anormal

28 fevereiro 2019 - 07h30Por Da redação/Revista Galileu

Um homem de 39 anos chegou ao Hospital Universitário de Colônia, na Alemanha, com tanta gordura nas veias sanguíneas que seu sangue ficou grosso e branco como leite. Segundo os médicos, a condição poderia tê-lo matado, caso um tratamento milenar não tivesse sido aplicado. O relatório do caso, publicado no Annals of Internal Medicine, apontou que o paciente teve hipertrigliceridemia, doença marcada pelos altos níveis de moléculas de triglicerídeos gordurosos no sangue. Normalmente, o tratamento é a plasmaferese, técnica que filtra os triglicéridos e outras substâncias do plasma.

Para o rapaz, contudo, esse processo não funcionou: o sangue dele acabou entupindo a máquina de plasmaferese duas vezes. Os médicos relataram que nunca haviam visto algo parecido. Por isso, foram buscar uma alternativa para ajudar o paciente. Em média, o nível normal de triglicérides no sangue de uma pessoa é inferior a 150 miligramas por decilitro (mg /dL). Uma leitura alta seria de 200 a 499 mg /dL, enquanto 500 mg /dL seria considerada uma taxa "muito alta". No caso tratado no Hospital Universitário de Colônia, porém, o sangue do homem estava completamente congestionado, com uma contagem que chegava a 36 vezes mais alta: cerca de 18.000 mg /dL.

O paciente sentia náuseas, tinha vômitos, dores de cabeça e agonia. De acordo com especialistas, esses sintomas são da Síndrome da Hiperviscosidade, na qual o sangue anormalmente espesso pode, em casos graves, desencadear convulsões e coma. Eles acreditam que o rapaz desenvolveu o problema por causa da sua obesidade, da resistência à insulina, e de uma possível predisposição genética. Além disso, ele tinha diabetes, mas não tomava os remédios regularmente. Inicialmente, a hipótese dos médicos era que ele havia desenvolvido cetoacidose, complicação grave do diabetes. 

Como a plasmaferese não foi possível, os especialistas escolheram uma opção muito mais antiga de tratamento, praticada nos séculos 18 e 19. Trata-se da sangria terapêutica, que retira sangue do corpo como se fosse para doação, mas descarta o líquido. Segundo o portal Science Alert, a técnica era usada no Egito Antigo, 3 mil anos atrás. Atualmente, contudo, a sangria é vista como uma forma de pseudociência que causou mais danos do que benefícios aos pacientes.

Na unidade de terapia intensiva do Hospital Universitário de Colônia, os médicos acabaram retirando dois litros de sangue do homem, substituindo-o por um suprimento concentrado de hemácias, plasma fresco congelado e uma solução fisiológica salina. O tratamento funcionou, diminuindo os níveis de triglicerídeos. No quinto dia de internação, o paciente estava livre de sintomas neurológicos residuais.

Para a equipe médica, esse caso demonstra como a retirada de sangue ainda pode preencher um nicho na medicina do século 21, quando não há outras opções disponíveis. "Se a plasmaferese não pode ser feita devido à extrema hiperviscosidade, nossa experiência demonstra que a sangria com a substituição convencional pode ser uma alternativa eficaz", explicaram os pesquisadores em nota. "Até onde sabemos, este é o primeiro relatório a descrever este procedimento."

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