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Saúde

Homem relata incômodo após banho de mar na Bahia: queimando muito

Vigilância investiga se o fato tem relação com óleo vazado em praias do Nordeste

04 novembro 2019 - 15h15Por Luis Abraham

Um empresário de 38 anos deu entrada no Pronto Atendimento da zona sul de Ilhéus, Bahia, na tarde deste sábado (2), com queimaduras no corpo todo ao tomar banho de mar na Praia dos Milionários. Segundo o enfermeiro coordenador da Vigilância de Saúde Ambiental, Gleidson Souza Santana, o paciente Anderson Gabriel Palmela relatou que sentiu o incômodo ainda no mar, “que estava limpo”.

De acordo com informações do TNH1, o empresário foi para casa tomar banho e notou a piora nos sintomas. “Meu corpo começou a coçar e queimar muito no mar. Quando cheguei em casa, no banho, a água ficou escura no chão e oleosa, mas na praia eu não vi óleo. À noite, quando voltei com o secretário de saúde pra mostrar onde estava tomando banho, vimos fragmento de óleo na areia”, relatou Anderson, ao Correio 24h.

O empresário é de Minas Gerais e está visitando o tio em Ilhéus, ele deu entrada no Pronto Atendimento por volta do meio-dia de sábado (2), com o corpo marcado por manchas e bolhas, ainda não tem previsão de voltar para casa e só deseja a melhora. “Quero saber como melhorar isso. Só sei que meu corpo está queimando muito, moça”, resume o empresário, que ainda se recupera na casa do tio.

Apesar das investigações, até momento não há como relacionar o caso com a presença de óleo nas praias do Nordeste, afirma o coordenador da Vigilância de Saúde. “A partir da notificação do caso dele, que foi isolado, a Vigilância investiga e alimenta o sistema. Além disso, liga para o Centro de Toxicologia para informar sobre o caso e faz o monitoramento do paciente pelo menos uma vez por dia”, explica Santana.

Uma nova bateria de exames deverá ser realizada, incluindo sangue e urina, de acordo com o enfermeiro, para saber a causa das manchas e queimaduras. Até a conclusão das investigações, a orientação d a Vigilância à população é “evitar o contato com o óleo, porque existem sintomas pelo contato dermatológico, por inalação e ingestão”, explica.

E por este motivo recomenda-se a utilização dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). “Tem que ter a máscara filtrante, a luva (se for longa, melhor ainda), o macacão (que protege os braços e as pernas) e a bota emborrachada até em cima, para não ter contato com a perna. Só o calçado só não adianta”, alerta Santana. “Essa é nossa maior preocupação”, reforça, sobre o grupo de voluntários “que está sendo relevante mesmo”.

Desde a chegada do óleo em Ilhéus, na última sexta-feira, outro caso foi registrado na segunda-feira (28), quando uma voluntária deu entrada com reações inalatórias, náusea, dor de cabeça e dor de estômago, foi medicada e recebeu alta. Assim como o paciente de sábado, a vigilância segue monitorando a mulher todos os dias.

“Até agora a gente não sabe ao certo quais são os sintomas. O Estado da Bahia não trabalha com petróleo, então a gente não tem equipe especializada nessa área. Seria o caso de alguém da Petrobras informar a gente como conduzir a situação. Por enquanto, estamos seguindo as orientações da Sesab e do Ministério da Saúde”, afirma Santana. A Marinha e o Corpo de Bombeiros também seguem dando apoio, junto com a prefeitura municipal de Ilhéus.