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segunda, 20 de setembro de 2021 Campo Grande/MS
Saúde

Hospital Universitário está superlotado e improvisando na emergência em Campo Grande

Direção do hospital culpa Central de Regulação pela superlotação; Sesau rebate que está transferindo pacientes da unidade

08 setembro 2021 - 15h00Por Diana Christie

O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/Ebserh), em Campo Grande, está superlotado com o atendimento de pacientes da urgência e emergência nesta quarta-feira (8).

A direção aponta que a regulação da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) está direcionando mais pacientes que o contrato prevê, o que vem atrapalhando o andamento de cirurgias eletivas.

Segundo a assessoria da unidade, hoje o PAM está com 60 pacientes, sendo 42 acima do limite contratualizado: 

  • Área vermelha com 15 pacientes, quando o limite contratualizado são 6 vagas; 
  • Área amarela com 4 pacientes, atingindo o limite contratualizado de 4 vagas; 
  • Área verde com 34 pacientes, quando o limite contratualizado são 3 vagas; 
  • Unidade de AVC com 4 pacientes, atingindo o limite contratualizado de 4 vagas; 
  • Triagem respiratória com 3 pacientes, quando o limite contratualizado é 1 vaga. 

Para minimizar o problema, o superintendente do Humap-UFMS/Ebserh, Cláudio César da Silva, aponta que vem designando mais gestores de fluxo de pacientes, otimizando o fluxo de cirurgias de urgência e deslocando funcionários de outras áreas para o PAM (como limpeza, maqueiros, laboratório, técnicos de enfermagem, enfermeiros, fisioterapeutas e médicos).

"Leitos, cadeiras e macas de outros setores estão sendo destinados ao PAM para acomodar as pessoas. Temos feito a oficialização periódica à Sesau e ao MPF (Ministério Público Federal) sobre o excesso de pacientes que está sendo enviado ao PAM via Central de Regulação. Entretanto, a situação de superlotação do pronto atendimento vem comprometendo outras funções do Hospital Universitário, incluindo cirurgias eletivas". 

O reitor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Marcelo Turine, ressalta que o Maria Pedrossian é um hospital-escola da universidade e tem um potencial de atendimento de situações mais específicas de média e alta complexidade, demanda crescente com fila de espera no Estado.

"O cumprimento da contratualização pelo gestor municipal de saúde faz com que o direito constitucional à saúde seja cumprido, na medida em que os leitos destinados ao pronto atendimento sejam ocupados e, sem a superlotação, os outros serviços hospitalares possam ser realizados, buscando-se diminuir as filas que se agravaram em razão dos atendimentos durante o período da pandemia", diz.

O reitor lembra que, neste semestre, o Humap-UFMS/Ebserh, além do corpo clínico próprio, conta com 199 médicos residentes e 513 estudantes de graduação, que não podem ter a atividade de ensino prejudicada. 

Início do problema

O hospital ampliou os atendimentos de emergência durante a pandemia da covid-19, mas agora prioriza retomar aos procedimentos de alta complexidade, que são realizados pelo SUS, aproveitando a diminuição da ocupação de leitos em outros hospitais de Campo Grande.

Houve uma reunião da direção do Humap-UFMS/Ebserh com a Sesau, em 27 de agosto de 2021, intermediada pelo MPF, para que fosse reduzida a superlotação. No entanto, conforme o hospital, a Central de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde continua enviando pacientes em número muito superior à capacidade estabelecida por contrato. 

Em resposta, a Sesau declarou que, desde a segunda quinzena de agosto, já transferiu mais de 80 pacientes do HU para outros hospitais. "Os encaminhamentos realizados até então estão dentro do que está pactuado em contrato entre a secretaria. Estamos mantendo tratativas com outros hospitais para aumentar a oferta de leitos, sobretudo clínicos e cirúrgicos, para absorver a demanda residual".

"Cabe esclarecer que, desde o início da pandemia, o Município ampliou em mais de 200% o número de leitos de UTI, saindo de 116 para os atuais 333 contratualizados com os hospitais públicos, privados e filantrópicos, para assegurar a assistência adequada à população", complementa a secretaria.