Menu
quarta, 24 de fevereiro de 2021
Saúde

Mais de 10 mil brasileiros tiveram câncer de pênis nos últimos 5 anos

Doença deixa sequelas físicas e psíquicas irreparáveis

21 fevereiro 2021 - 16h20Por Rayani Santa Cruz

A menos, 10.265 brasileiros foram atingidos pelo câncer de pênis entre os anos de 2016 e 2020. São casos que, além de deixar sequelas físicas e psíquicas às vezes irreparáveis, colocaram o país entre as cinco nações com os maiores números de ocorrências, junto com Quênia, Uganda, Egito e Índia. 

Conforme o Uol, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) afirma que o câncer de pênis representa cerca de 2% de todos os casos, sendo mais frequentes nas regiões Norte e Nordeste - principalmente entre pessoas de menor grau de instrução e renda.

Entre 2014 e 2018, as mais altas taxas de mortalidade por câncer de pênis foram verificadas em três estados da região Nordeste: Maranhão, Piauí e Sergipe; e em dois da região Norte: Pará e Tocantins. No ano passado, esses cinco estados, além de 370 cidades de todo o país, foram incluídos em um projeto-piloto que o ministério criou para qualificar o cuidado com a saúde masculina e tentar reduzir a incidência de câncer de pênis. 

A pasta destinou R$ 20 milhões ao projeto, ainda em fase experimental. 

Higiene íntima

De acordo com o urologista Felipe de Paula, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) de São Paulo, muitos dos casos da doença poderiam ser evitados apenas com cuidados básicos com a higiene íntima, já que o descuido com a limpeza do órgão sexual masculino é identificada como o principal fator de risco. "É preciso higienizar muito bem o pênis, mas não só sua parte exterior. É necessário expor a glande, ou seja, a cabeça do pênis; colocá-la para fora do prepúcio [camada de pele retrátil que cobre a extremidade do órgão] e lavá-la bem", orienta o urologista, destacando que a presença de fimose pode aumentar o risco de surgimento de lesões e dificultar a lavagem adequada da glande (que deve ser feita apenas com água e sabonete ou sabão), aumentando o risco de surgimento de um tumor. 

Alta taxa de cura 

Diagnosticado em estágio inicial, o tratamento do câncer de pênis apresenta elevada taxa de cura. A detecção dos casos de câncer pode ser feita por meio de exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos. O tratamento depende da extensão local do tumor e do comprometimento dos gânglios inguinais, podendo ser feito por meio de cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, conforme o caso. Segundo o Inca, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar que a situação se agrave e seja necessário amputar parcial ou totalmente o pênis.

Embora seja mais frequente entre homens a partir dos 50 anos de idade, o câncer de pênis também pode atingir os mais jovens. Entre os fatores que aumentam o risco da pessoa vir a desenvolver a doença estão o fumo e as consequências de doenças sexualmente transmissíveis maltratadas - razão para os especialistas reforçarem a recomendação para que os homens usem preservativo ao terem relações sexuais.