Médicos da rede pública de Campo Grande estão revoltados com as declarações dadas pelo secretário municipal de Administração, Wilson do Prado, na tarde desta quarta-feira (6). Para o secretário, a categoria não pode exigir reajuste já que recebem salários de até R$ 42 mil. Imediatamente após a declaração, os profissionais passaram a compartilhar nas redes sociais fotos de seus holerites comprovando os baixos salários pagos pelo município.
De acordo com o sindicato dos médicos (Sinmed), se há “supersalários”, são casos isolados e resultam da incompetência do município em não barrar as horas extras excessivas e que extrapolam o limite de pagamento.

Ainda segundo o sindicato, a maioria dos profissionais recebe salários que giram em torno de R$ 2.560, sem as gratificações. A categoria está paralisada desde quarta-feira (6) e não tem previsão de quando retornará as atividades. Eles exigem a volta das gratificações, cortadas pela prefeitura, para voltar às negociações.
Na versão do secretário Municipal de Administração, os médicos querem reajuste salarial de 355%, que elevaria o salário-base para R$ 11.700,00 para jornada de 20 horas semanais. Prado diz que o aumento está "fora da realidade financeira do município", e aumentaria em quase 70% a folha de pagamento, com incremento de R$ 80 milhões por mês.
A prefeitura teria pedido ao sindicato que aguarde 90 dias para que as negociações sejam retomadas. A proposta, informal, foi negada e a greve continua em toda rede pública. Apenas 30% do efetivo está atuando na urgência e emergência da Capital.
Greve
A paralisação continua por tempo indeterminado e o esquema de classificação de atendimentos será mantido. Casos classificados como vermelho e amarelo são encaminhados diretamente para os médicos. Atendimentos de menor complexidade também serão feitos, no entanto, com lentidão maior.
O sindmed reiterou que nenhhum paciente deve deixar de ir aos postos de saúde porque a dispensa e classificação da necessidade da população só pode ser feita pela equipe médica. Apenas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e CRS (Centros Regionais de Saúde) estão oferencendo atendimento. Consultas eletivas foram canceladas.







