Pacientes internados na Santa Casa de Campo Grande vivem momentos de extrema dificuldade nesta segunda-feira (22), com relatos de descaso no atendimento e nas condições de higiene da unidade. Entre eles, Kamilly Rafaely Ribeiro da Costa, de 22 anos, que sofreu um acidente de moto e aguarda cirurgia há sete dias, descreve uma situação crítica.
“Está um caos aqui. Não tem enfermeira suficiente, os banheiros estão sujos, o lixo está apodrecendo e não tem medicação para a dor. Quem tem acompanhante consegue se virar, mas quem não tem, fica sozinho”, relatou a jovem. Segundo Kamilly, há apenas uma enfermeira responsável por cerca de 15 salas, cada uma com três pacientes, o que impede a realização de curativos, administração de medicamentos e cuidados básicos como banho e troca de lençóis.
A paciente afirma que nem o café da manhã, nem o almoço foram servidos nesta segunda-feira. “Chamaram todos os acompanhantes e disseram que teriam que trazer comida de casa porque hoje não teria nenhuma refeição para os pacientes. A limpeza também está precária, os banheiros estão horríveis e o lixo acumulado representa risco de infecção”, completou.
Além da falta de atendimento e higiene, Kamilly relata que não há remédios suficientes para controlar a dor e que procedimentos básicos estão sendo adiados. “Hoje nem dipirona tinha para dar e a gente sente dor porque está esperando cirurgia. Quem consegue andar, se vira. Quem não consegue, sofre sozinho”, disse.
A situação afeta também outros serviços essenciais do hospital. De acordo com o apurado pela reportagem, setores como laboratório e manutenção estão funcionando parcialmente e exames urgentes chegaram a atrasar mais de 12 horas, prejudicando o atendimento a casos críticos.
A greve foi motivada pelo atraso no pagamento do 13º salário dos funcionários. A administração da Santa Casa informou que optou por escalonar o pagamento em três parcelas devido a dificuldades financeiras e à necessidade de manter atendimentos de urgência e emergência. O Sindicato dos Trabalhadores das Áreas de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Siems) questiona a legalidade do parcelamento.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul acompanha a situação da unidade, descrevendo a Santa Casa como um “cenário de colapso institucional” e cobrando um plano emergencial para normalizar os serviços, reorganizar o fluxo do Pronto-Socorro e garantir a retomada integral do atendimento hospitalar.
Nesta segunda-feira, funcionários se reuniram na porta do hospital com cartazes, faixas e nariz de palhaço, reforçando a paralisação em busca do pagamento do 13º e melhores condições de trabalho.







