Dados sobre o perfil da enfermagem em Mato Grosso do Sul revelaram que 17,2% dos profissionais do Estado recebem subsalários. O estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Conselho Federal de Enfermagem (Confen) e Conselho Regional de Enfermagem de MS, abrangeu todos os estados brasileiros e foi apresentado nesta quinta-feira (2).
Os números reafirmam a situação vivida pela categoria no estado. Em Campo Grande, os profissionais da enfermagem estão, há mais de dez dias, em greve reivindicando melhores condições salariais.
Conforme a pesquisa, considerando a renda mensal de todos os empregos e atividades que a equipe de enfermagem exerce, constata-se que 1% de profissionais recebe menos de um salário-mínimo por mês.
A pesquisa encontra um elevado percentual de pessoas (17,2%) que declararam ter renda total mensal de até R$ 1 mil, ou seja, estão em condição de subsalário. "Os setores privados e os filantrópicos são os campeões na exploração", afirma o presidente do Conselho Nacional, Manoel Neri. Dos profissionais da enfermagem, a maioria (73,7%) tem apenas uma atividade/trabalho.

Presidente do Cofen, Manoel Neri. (Foto: Deivid Correia)
A situação é verificada nacionalmente e o quadro se mostra ainda pior se considerados outros fatores. De acordo com a coordenadora-geral da pesquisa, Maria Helena Machado, casos de violência contra profissionais da enfermagem também foram citados como principais problemas na ocupação. "São os profissionais que estão mais na ponta e recebem a ira do usuário por conta das condições de atendimento", explica.
O desgaste físico e emocional também está entre as reclamações apontadas pelos profissionais. Conforme a pesquisadora, este quadro se dá por dois fatores principais: o primeiro são os baixos salários e, o segundo, a desvalorização profissional, que está ligada a falta de reconhecimento, até mesmo, pelo próprio usuário. No estado, 70,8% da equipe de enfermagem declaram desgaste.
Greve e políticas públicas
Considerado o mais amplo levantamento sobre uma categoria já realizado na América Latina e abrangendo um universo de mais de 1,8 milhões de profissionais, o estudo apresenta um panorama que reafirma as reivindicações da enfermagem. "Os profissionais devem se organizar em questões relativas às melhores condições de trabalho", afirma o presidente do Conselho Regional, Diogo Nogueira do Casal.
Com apoio aberto à paralisação da categoria, o presidente afirma que o próprio estudo serve como base para elaboração de políticas públicas referentes aos profissionais de enfermagem. "É um pesquisa cientifica, que pode ser trabalhada para melhoria também do atendimento à população", explica.

Presidente do Conselho Regional, Diogo Nogueira do Casal. (Foto: Deivid Correia)
Na Capital, cerca de 500 profissionais de enfermagem, técnicos e enfermeiros tentam dialogar com a prefeitura. Eles querem equiparação com o piso nacional que é de R$ 3,7 mil para enfermeiros, e R$ 2,3 mil para os técnicos. A prefeitura paga R$ 2,1 mil e R$ 1,1 mil para enfermeiros e técnicos, respectivamente. A categoria também reivindica reajuste inflacionário de 8,3%.
Dados positivos
No estado, a pesquisa abrangeu mais de 18 mil profissionais, composta por um quadro de 75,1% de técnicos e auxiliares e 24,9% de enfermeiros. Chamou a atenção que, na Região Centro-Oeste, MS desponta como aquele que possui o maior contingente de profissionais indígenas, representando 3,2%.
No quesito mercado de trabalho, 61,7% da equipe de enfermagem encontra-se no setor público; 25,5% no privado; 18,7% no filantrópico e 8,6% nas atividades de ensino. Os quatro grandes setores de empregabilidade da enfermagem (público, privado, filantrópico e ensino) apresentam subsalários. O privado (23,4%), o filantrópico (40,1%), o público (12,8%) e o de ensino (20,7%) praticam salários com valores de até R$ 1 mil.
A equipe de enfermagem em Mato Grosso do Sul é predominantemente feminina, sendo composta por 81,3% de mulheres. É importante ressaltar, no entanto, que mesmo tratando-se de uma categoria feminina, registra-se a presença de 18,6% dos homens. Esse estado tem o maior índice de participação masculina na Força de Trabalho da enfermagem na Região Centro-Oeste.
O desejo de se qualificar é um anseio do profissional de enfermagem do estado. Os trabalhadores de nível médio (técnicos e auxiliares) apresentam escolaridade acima da exigida para o desempenho de suas atribuições, o que significa dizer que mais de 1/3, ou seja, 33,7% de todo o contingente, fizeram ou estão fazendo curso de graduação.
A área da enfermagem apresenta ainda o menor índice de desemprego da Região Centro-Oeste e um dos mais baixos do Brasil, com 5,8% dos profissionais entrevistados relatando situações de desemprego nos últimos 12 meses. A dificuldade de encontrar emprego foi apontada por 69,6% desses profissionais.







