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Saúde

Pesquisa com 96 mil pacientes da covid não vê cura na cloroquina e alerta para risco de arritmia

Foram analisados 96.032 pacientes internados em 671 hospitais em 6 continentes

22 maio 2020 - 14h01Por Diana Christie

Pesquisa científica publicada na revista "The Lancet" e reproduzida pelo programa Bem Estar, nesta sexta-feira (22), aponta que a hidroxicloroquina e a cloroquina não apresentam benefícios no tratamento da covid-19. Além disso, ela mostra risco maior de morte e piora cardíaca durante a hospitalização.

Foram analisados 96.032 pacientes internados, com idade média de 53,8 anos, de 671 hospitais em 6 continentes. As hospitalizações ocorreram entre 20 de dezembro de 2019 e 14 de abril de 2020.

Segundo o G1, 1.868 pessoas receberam apenas cloroquina, 3.016 receberam só hidroxicloroquina, 3.783 tomaram a combinação de cloroquina e macrólidos (uma classe de antibióticos), e mais 6.221 pacientes usaram hidroxicloroquina e macrólidos.

O grupo de controle, que serve para comparação e não fez uso dos medicamentos, é formado por 81.144 pacientes. A seguir os resultados compilados pelo G1:

No final do período, 1 a cada 11 pacientes do grupo controle havia morrido - 7.530 pessoas (9,3%). Todos os quatro tipos de tratamento foram associados com um risco maior de morrer no hospital.

Dos que apenas usaram cloroquina ou hidroxicloroquina, cerca de 1 a cada 6 pacientes morreram. Foram 307 pessoas que tomaram cloroquina (16,4%) e 543 que tomaram hidroxicloroquina (18%).

Dos que tomaram cloroquina ou hidroxicloroquina com macrólidos, cerca de 1 a cada 5 pacientes morreram. Houve 839 mortes (22,2%) no caso de uso de cloroquina com antibiótico e 1.479 (23,8%) na combinação de hidroxicloroquina com antibiótico.

Os cientistas excluíram fatores que podem influenciar os resultados, como idade, raça, índice de massa corporal e outras condições associadas (doenças cardíacas, diabetes, e doenças pulmonares).

Segundo a pesquisa, os pacientes medicados com as substâncias apresentaram risco maior de desenvolver arritmia cardíaca. A maior taxa foi vista em pacientes que receberam a hidroxicloroquina em combinação com os antibióticos: 8% ou 502 pessoas em um grupo de 6.221. O grupo controle, que não recebeu as substâncias, teve um índice de 0,3%.

Este é o maior estudo feito com pacientes infectados e internados com a Covid-19 e a prescrição de cloroquina e hidroxicloroquina. No entanto, pesquisa publicada na britânica "The New England Journal of Medicine" também teve resultado similar.

A Organização Mundial da Saúde mantém a posição de que as substâncias podem causar efeitos colaterais e não têm eficiência contra doença.

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