O Cempe (Centro Municipal Pediátrico) de Campo Grande, envolvido em diversas polêmicas, pode ser transformado agora em um Hospital Materno Infantil. A mudança agora depende de reunião do Conselho Municipal de Saúde, Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública) e representantes do Ministério Público Estadual, que está marcada para o dia 10 de Junho.
A intenção oficial do município é que o futuro Hospital Materno Infantil atenda o projeto Rede Cegonha, assegurado pelo Ministério da Saúde.
A decisão da Prefeitura, porém, é mais uma polêmica questionada pelo Conselho Municipal de Saúde. O Cempe não tem autorização de funcionamento, e não pode receber recursos da saúde para funcionar. A estrutura tem um custo mensal estimado em R$ 2 milhões.
Além disso, o Conselho afirma que o município deve achar uma solução para a descentralização da saúde, e não centralizar o atendimento em um só ponto. O Cempe hoje não é considerado nem um hospital nem um posto de saúde.
Conforme o coordenador do Conselho Municipal de Saúde, Sebastião Junior, o Cempe e a saúde regional enfrenta uma crise. “Não estamos recebendo recursos federal e estadual. Para o Cempe virar um hospital vamos precisar dos recursos do Ministério da Saúde autorizados pelo governo de Mato Grosso do Sul e União”, explica.
O Cempe funciona desde o dia 11 de outubro de 2014 durante 24 horas. Atende de recém-nascidos a crianças com até 12 anos, 11 meses e 29 dias, conforme a lei do Conselho Federal de Medicina.
Levar novas estruturas para o Cempe é visto como uma forma de ‘burlar’ as negativas do Conselho Municipal de Saúde e receber verbas federal e estadual.
A reunião com a Sesau e representantes do MPE vai ocorrer no Conselho Municipal de Saúde.
Conforme auxiliar de saúde bucal, Maria Mariana, 32 anos, o atendimento está sendo rápido somente para as crianças que estão em caso de emergência. “Há duas horas estou aguardando atendimento. O meu filho de aproximadamente dois anos, está com febre e diarreia. Está e a terceira vez que venho aqui. Ainda tem varias mães que está na minha frente”, relatou, no fim da tarde de ontem.
Rede Cegonha
A rede visa implementar uma série de cuidados para assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e pré-natal, bem como assegurar às crianças o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis.
A assessoria de imprensa da Sesau explica que, há um mês, foi mudada a nomenclatura do Cempe para PAI (Ponto de Atendimento Integrado), que desde a inauguração atendeu mais de 36 mil crianças. A média mensal dos últimos meses foi de seis mil atendimentos.







