O CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul) realizou na tarde desta terça-feira (23) uma coletiva para falar sobre a situação de ‘colapso’ na Santa Casa de Campo Grande.
Segundo o presidente do conselho, o Flávio Freitas Barbosa o CRM-MS realizou vistorias e fiscalizações ao longo do ano que mostraram a situação enfrentada hoje pela Santa Casa. “Não é a primeira vez que isso acontece. E não são questões vinculadas apenas ao pagamento dos servidores; é o deficit de material, escassez de medicamentos, então é uma situação preocupante. A maior questão para o conselho é a desassistência da população, que necessita da instituição”, disse durante coletiva.
Segundo nota publicada pelo conselho, foram constatados baixo estoque de medicamentos essenciais ao adequado atendimento de urgência e emergência, bem como a completa falta de diversas medicações indispensáveis à prática médica segura. Além disso, serviços de referência encontram-se há meses sem o recebimento de honorários ou a devida liquidação pelos serviços prestados, o que tem gerado sucessivas notificações de rescisão contratual.
Entretanto, o presidente reforçou que não cabe a eles resolver questões financeiras, estando na competência de atuar apenas como ‘mediador’. “Esse conselho se coloca à disposição das autoridades para mediar esse conflito. De um lado a gestão fala que os repasses estão em dia; de outro lado, há o questionamento dos valores desse repasse, ou seja, se há um deficit mensal”.
Para Barbosa, a intervenção em esfera judicial seria um caminho possível para a avaliação do caso, para averiguar se há ou não esse deficit mensal de repasses, ou se há má gestão do hospital. “Acompanharemos de perto, mas não podemos intervir. Podemos trabalhar com a Prefeitura de Campo Grande, por exemplo, dando conselhos e assistências”.
Além disso, o CRM-MS também pontuou que é preciso rever os contratos dos médicos, já que há diferenças entre profissionais que atuam como pessoas físicas (CLT), pessoas jurídicas (CNPJ) e autônomas.
Na próxima semana, setores cirúrgicos começarão a parar no hospital, mostrando a gravidade da situação. Entre elas, destacam-se as especialidades de Urologia, com notificação datada de 29 de dezembro de 2025, ortopedia em 02 de janeiro de 2026, Cirurgia Pediátrica em 07 de janeiro de 2026, bem como Cirurgia Vascular e Cirurgia Geral, que já operam com severas limitações, sob risco iminente de interrupção total a qualquer momento. Há, ainda, a paralisação parcial da equipe de Anestesiologia.
“Há um colapso eminente de assistência a saúde de todo o nosso Estado”, finalizou o presidente.
Colapso
O maior hospital a atender o SUS (Sistema Único de Saúde) de Mato Grosso do Sul enfrenta a tempos situação de caos, e o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) entrou com Ação Civil Pública para impedir o agravamento da crise, que passa por superlotação extrema, falta de insumos, dívidas acumuladas com médicos e fornecedores.
Na ação, o MP descreveu o hospital como um “cenário de colapso institucional”, com setores operando acima da capacidade e um pronto-socorro que registra superlotação, devido a uma reforma iniciada sem o planejamento financeiro correto e que ainda não foi concluída, mesmo após dois anos.
O órgão aponta que a unidade funciona há anos em condições precárias, com pacientes que aguardam atendimento em ambiente inadequado (corredores), além de relatar desabastecimento de medicamentos e insumos, falta de materiais cirúrgicos, dívidas com médicos e prestadores e risco concreto de paralisação de atendimentos de alta complexidade. Somado a isso, diversos setores do hospital estão paralisados.







