Pressionada, Prefeitura de Campo Grande volta atrás e renova contrato com a Santa Casa por mais quatro meses. Ontem (8), a administração do hospital anunciou que sem o repasse municipal os atendimentos seriam cortados em 30 dias. O prefeito Gilmar Olarte, PP, se comprometeu a regularizar o contrato, na manhã desta quinta-feira (9), mas quer dividir a conta com o governo estadual.
Com a renovação, o repasse de R$ 3 milhões será estendido por mais quatro meses e de acordo com nota divulgada pela prefeitura, a medida é para “garantir a manutenção do atendimento hospitalar na Santa Casa”.
Afirmando enfrentar “crise financeira”, o município acusa o governo do Estado de não dividir a conta do repasse. Segundo a nota, o prefeito assinou o contrato com a iminência de parceria com o Estado.
“Quando firmou [o prefeito] o compromisso com a Santa Casa em dezembro, havia perspectiva da nova administração estadual a partir de fevereiro. “Não podemos colocar em risco o funcionamento do hospital, onde 35% do fluxo dos pacientes é do interior. Levamos em conta também que era um momento de dupla transição, tanto estadual, quanto federal. Não poderia penalizar a população”, diz o documento.
Na coletiva de imprensa convocada pelo diretor-presidente do hospital, Wilson Teslenco, na manhã de ontem (8), vários sindicados de servidores da Santa Casa contestaram a versão apresentada pelo prefeito. “Nunca houve tanto investimento na saúde, eles até recusaram uma tentativa nossa de ampliar a verba destinada para a saúde do município”, disse Cleonice Alves, do Conselho Local de Saúde.
Repasses
A Santa Casa recebe por mês R$ 18.570.000,00 da Prefeitura. Deste total, o Estado participa com R$ 1.570.000,00; o município contribui com R$ 4.217.000,00 e o Ministério da Saúde libera R$ 13.068.497,86 para pagar os procedimentos médicos realizados. Pelos cálculos da instituição, esta conta não fecha. Seu custo mensal, hoje seria em torno de R$ 19 milhões.
Da parcela liberada pelo Estado e a Prefeitura, R$ 1,5 milhão (R$ 750 mil de cada um) não são usados no custeio, mas são reservados ao pagamento de parcelas de um empréstimo contratado em 2013 junto à Caixa Econômica Federal no valor de R$ 84 milhões, usado no pagamento de dívidas de curto prazo.







