A administração da Santa Casa de Campo Grande acusou a prefeitura de tentar realizar uma manobra para não cumprir o acordo de repasses, firmado na última quinta-feira (07), em reunião na Assembleia Legislativa. A administração municipal emitiu nota, na manhã desta terça-feira (12), afirmando que a diretoria do hospital se recusava a assinar o contrato e, por isto, não teria recebido o repasse de R$ 13 milhões, referentes ao teto financeiro de abril.
De acordo com o diretor-presidente da entidade, Wilson Teslenco, a administração aceitou cumprir o acordo firmado em reunião, mas não assinou o documento apresentando pela prefeitura por não conter as clausulas acordadas. "Preparamos uma minuta e acrescentamos os termos firmados, porém a prefeitura insiste para que assinemos o contrato pronto que não contém tais determinações", explica.
Entre os itens acordados, que a prefeitura se recusa a acrescentar na documentação, está a criação de contrato de cinco anos com o município, com a previsão de reajustes anuais e que as dívidas sejam negociadas e parceladas. "São coisas simples que foram feitas indicações na reunião", explica.
O documento apresentado se restringe ao comprometimento da prefeitura em repassar por mais dois meses (abril e maio) um recurso extra-teto de R$ 2,5 milhões por mês. Além disto, dispõe sobre o pagamento, até sexta-feira, da última parcela, referente a março, do convênio firmado em dezembro, pelo qual o município se comprometeu a repassar R$ 12 milhões, em quatro parcelas, para complementar o teto-financeiro da Santa Casa.
Conforme nota divulgada pela administração municipal, a direção do hospital exige a inclusão de uma clausula no contrato de contratualização em que a Prefeitura reconhece os repasses atrasados.
Caos
Os cortes nos serviços prestados pela Santa Casa começaram na terça-feira (5). O primeiro setor afetado foi o ambulatorial. Pelo menos 400 pessoas ficarão sem atendimento de média complexidade todos os dias.
Hoje, a direção da Santa Casa de Campo Grande suspendeu as cirurgias eletivas em função dos protestos dos profissionais da instituição contra o acordo provisório firmado com o município e o atraso no pagamento dos salários dos funcionários.
O acordo firmado na última quinta-feira (7) pela prefeitura de pagar na sexta-feira (8) parte da dívida com a Santa Casa não foi cumprido e cerca de 3 mil funcionários ficaram sem receber seus salários. Pouco mais da metade de um total dos R$ 8,1 milhões de dívidas em atraso – R$ 4,3 milhões - foi transferido somente no final da tarde de sexta-feira (8) para a conta da instituição, cuja folha salarial é de R$ 8,5 milhões.







