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Saúde em alerta: MS está entre estados com maior índice de automedicação no país

Uso exagerado de antibióticos, relaxantes musculares e outros medicamentos pode causar danos graves

13 MAI 2019
Amanda Amaral
13h10min
Foto: Agência Brasil

Mato Grosso do Sul aparece em pesquisa entre os estados em que mais há uso indevido de medicamentos no Brasil. Conforme pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Conselho Federal de Farmácia, o Centro-Oeste lidera o ranking entre as regiões do país, onde cerca de 80% usam os remédios por conta própria, sem orientação de um profissional da saúde.

O hábito é comum entre 77% dos brasileiros, aponta a pesquisa. Inédita na história dos conselhos de Farmácia, a pesquisa investigou o comportamento dos brasileiros em relação à compra e ao uso de medicamentos, e servirá para subsidiar uma campanha nacional de conscientização, em comemoração ao dia 5 de maio, o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos.

É surpreendente o alto índice de utilização de antibióticos 42%, somente superado pelo porcentual declarado para analgésicos e antitérmicos 50%. Em terceiro lugar ficaram os relaxantes musculares 24%. O uso de antibióticos foi maior nas regiões Centro-Oeste e Norte 50%.

Quase metade 47% dos entrevistados disseram se automedicar pelo menos uma vez por mês, no 53% na região centro-oeste e norte. Um quarto dessas pessoas afirmou que o faz todo dia ou pelo menos uma vez por semana. O estudo detectou ainda uma modalidade diferente de automedicação, a partir de medicamentos prescritos.

Nesse caso, a pessoa passou pelo profissional da saúde, tem um diagnóstico, recebeu uma receita, mas não usa o medicamento conforme orientado, alterando a dose receitada. Esse comportamento foi relatado pela maioria dos entrevistados 57%, especialmente homens, 60%, e jovens de 16 a 24 anos, 69%.

A principal alteração na posologia foi a redução da dose de pelo menos um dos medicamentos prescritos, 37%. O principal motivo alegado foi a sensação de que “o medicamento fez mal” ou “a doença já estava controlada”. Para 17%, o motivo que justificou a atitude foi o custo do medicamento – “ele é muito caro”.

A frequência da automedicação é maior entre o público feminino. Mais da metade das entrevistadas, 53%, informou utilizar medicamento por conta própria, pelo menos uma vez ao mês. A maioria das pessoas entrevistadas afirmou que se automedica quando já usou o mesmo medicamento antes, 61%. A facilidade de acesso ao medicamento foi outro fator determinante, principalmente entre o público jovem, de 16 a 24 anos, 70%.

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