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Saúde

Sem dinheiro para pagar por parto, mulher perde bebê ainda na barriga

Denúncia

15 abril 2016 - 17h01Por Amanda Amaral

Em busca de ajuda para definir o responsável pela perda de seu filho quando estava prestes a dar a luz, Sueli Pedrozo Soares, 41 anos, esteve nesta sexta-feira (15) no Ministério Público Estadual, em Campo Grande. Ela teria sido vítima de negligência médica e acusa o médico Sérgio Fernando Ferreira de não encaminhá-la para um parto de urgência antes que seu bebê falecesse, ainda dentro da barriga, no 9º mês da gestação. Ao invés disso, o médico teria cobrado R$ 2.000 para realizar a cirurgia, valor que a família não dispunha.

Sueli, que é diabética e hipertensa, conta que durante acompanhamento pré-natal no oitavo mês da gestação, um ultrassom identificou a gravidez de risco e que a criança já tinha peso e tamanho ideais para nascer, sendo necessário que o obstetra a encaminhasse para uma cirurgia o quanto antes. Contudo, ela alega que isso não ocorreu e o parto aconteceu quase quase um mês depois. Sem espaço, oxigênio e já pesando 5,425 kg, o bebê não sobreviveu.

“Era pra nascer pouco depois do dia 10 de agosto, depois do ultrassom, mas o parto aconteceu somente um mês depois, no dia 4 de setembro, mas estava marcado pro dia 15. Isso tudo porque o Dr. Sérgio não quis me encaminhar pro SUS, pra poder receber os R$ 2 mil se o parto fosse realizado na Maternidade Cândido Mariano. Ele me disse que, se eu não pagasse, que esperasse sentir alguma dor pra fazer a cirurgia, porque a maternidade não fazia partos de alto risco”, conta Sueli. Ela acabou realizando uma cesariana na Santa Casa pelo obstetra Loester Nunes de Oliveia, depois de ser encaminhada à unidade com fortes dores abdominais.

O caso ocorreu no ano passado, mas ainda emociona a mãe, que também não teve nenhum tipo de auxílio psicológico depois do fato. Ela tem uma filha de 13 anos, mas relata que não deixa de sofrer um só dia, ‘ao menos até que a Justiça seja feita’. “Não estou atrás de dinheiro, não vai trazer de volta meu bebê, mas vai evitar que muita mãe passe o que eu passei e estou passando ainda. Não é fácil”, desabafa.

Advogado Valdemar de Souza e Sueli. Foto: André de Abreu

Advogado de Sueli e de outros casos parecidos como esse e presidente da Associação das Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul, Valdemar de Souza diz ter certeza que se trata de um erro da parte do médico. “Ele permitiu que o feto sofresse. Era pra nascer uma criança perfeitamente saudável, mas por interesse no dinheiro ele não permitiu que isso acontecesse”, declarou.

Um inquérito foi aberto na Polícia Civil e o caso segue no MPE sob responsabilidade da Promotora Paula Volpe.