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USP descontamina órgãos para transplante: evita transmissão de doenças

A técnica criada por brasileiros e canadenses descontamina órgãos para transplantes e ajudar a evitar a transmissão de doenças para a pessoa receptora

4 MAI 2019
Da redação/Só Notícia Boa
12h21min
Foto: Reprodução/Só Notícia Boa

Uma técnica criada por brasileiros e canadenses descontamina órgãos para transplantes e ajudar a evitar a transmissão de doenças para a pessoa receptora. A técnica biofotônica revolucionária, que usa radiação ultravioleta e luz vermelha.

Ela foi desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) da Universidade de São Paulo e Universidade de Toronto (Canadá). A descoberta foi descria em artigo publicado na revista Nature Communications. “Já foram realizados 10 testes com pacientes [usando a terapia biofotônica]. Em oito casos, a nova técnica se mostrou capaz de reduzir significativamente a carga viral dos órgãos para transplante.

Em outros dois, o procedimento praticamente eliminou a presença do vírus”, contou o coordenador do serviço, Marcelo Cypel, O pesquisador Vanderlei Bagnato, diretor do IFSC e coordenador do Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CEPOF) explicou que o método com laser pode evitar desperdício de órgãos.

Método

Os cientistas fizeram uso de luz ultravioleta e de luz vermelha para reduzir a carga viral e bacteriana de órgãos para transplante, evitando que doenças como hepatite sejam transmitidas para os receptores. Segundo Bagnato, a técnica foi inicialmente desenvolvida para tratar pulmões, mas já está sendo adaptada para fígado e rins.

“Isso deverá melhorar muito as condições pós-operatórias dos transplantados e, ao mesmo tempo, permitirá aproveitar melhor órgãos que hoje, dependendo do nível de contaminação, são descartados”, disse.

A equipe trabalha agora para implantar o programa de descontaminação de fígados e rins no Brasil. Duas empresas internacionais já mostraram interesse em estudar a possibilidade da fabricação e comercialização do equipamento.

A pesquisa

O grupo de Bagnato trabalhou em parceria com pesquisadores da Universidade de Toronto, que abriga o maior programa de transplante de pulmão do mundo, com 197 cirurgias realizadas em 2018.

Segundo o coordenador do serviço, Marcelo Cypel, um dos obstáculos para a realização dos procedimentos é a necessidade de descontaminar os órgãos a serem transplantados, principalmente quando o doador era portador do vírus da hepatite C.

A descontaminação

No caso do transplante de pulmão, o órgão a ser transplantado tem o sangue substituído por um líquido de preservação – procedimento conhecido como perfusão, desenvolvido no Canadá por Cybel. “A perfusão consegue reduzir a carga viral e bacteriana, mas não eliminá-la. Isso obriga o paciente a ser submetido a um tratamento com antibióticos e antivirais nos três meses seguintes ao transplante”, explicou o cientista.

Segundo a professora do IFSC Cristina Kurachi, a técnica de descontaminação biofotônica desenvolvida nos laboratórios de São Carlos consiste de dois procedimentos específicos, que acontecem simultaneamente. “A função da radiação ultravioleta é destruir diretamente os microrganismos por meio do rompimento e da quebra das moléculas presentes em bactérias e vírus. Assim, as bactérias são mortas, e os vírus, totalmente inativados. Já com o banho de luz vermelha a ação de descontaminação ocorre de forma indireta, pela fotossensibilização”, explicou.

De acordo com Bagnato, o aperfeiçoamento da terapia biofotônica, com a queda da carga viral e bacteriana cada vez mais acentuada, proporcionará melhores chances de sucesso dos transplantes. Além da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a Fapesp, também financiaram a pesquisa o Canadian Institutes of Health Research, do Toronto General & Western Hospital Foundation, e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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