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Aldo diz que UFC 'é uma bagunça' e detona Conor e técnico: 'São uns m...'

Campeão linear dos penas, brasileiro critica falta de critério do Ultimate para definir os desafiantes em diversas categorias e cita situações de Khabib, Demian e Jacaré

7 DEZ 2016
Globo Esporte
10h31min
Foto: Raphael Marinh

Não é de hoje que José Aldo não poupa críticas ao Ultimate. Nem mesmo o fato de ter retomado o posto de campeão linear do peso-pena (até 66kg) parece ter mudado a cabeça do brasileiro. Em entrevista exclusiva ao Combate.com, o lutador usou palavras duras ao comentar o modus operandi da companhia para determinar os desafiantes ao título em diversas divisões, e classificou como "uma bagunça" a organização, citando as situações de Khabib Nurmagomedov nos leves (até 70kg), Demian Maia nos meio-médios (até 77kg) e Ronaldo Jacaré nos médios (até 84kg).

- O UFC está uma bagunça faz tempo. Não é só com o Aldo, isso já vem acontecendo bem antes. Isso embaraçou o peso-pena, agora o peso-leve, o Khabib (Nurmagomedov) assinou dois contratos para lutar pelo título e não lutou. Também no 77kg, tem o Demian (Maia) para esperar, o Ronaldo Jacaré já está há muito mais tempo. Para mim tranquilo, fui campeão dominante muito tempo, mas e a situação do Jacaré que toda hora ganha de alguém e dizem que vai lutar pelo cinturão e nunca luta? E pelo jeito parece que nunca vai lutar. A bagunça está generalizada - disparou.

Recentemente, Conor McGregor  disse que o cinturão linear de Aldo é "um cinturão de mentira", e o treinador do irlandês, John Kavanagh, disse que era "ridículo" promover o brasileiro ao topo da divisão até 66kg, mas o atleta da Nova União rebateu a dupla.

 

- Eu sabia que ia virar o campeão, e ele sabe que o que aconteceu comigo naquela luta nunca mais vai acontecer. Era previsto eu me tornar campeão de novo. Não vejo problema algum na maneira como aconteceu, sempre falei que o importante era ter o cinturão na minha cintura. Independentemente de qualquer coisa, sou o campeão. Não estou nem aí para o que o treinador dele fala, quem é o treinador dele? Nem sei quem é. Ele também. Para mim são todos uns m...

Na mesma oportunidade desta entrevista, o técnico de Aldo e da Nova União, Dedé Pederneiras, revelou que, numa reunião recente com Dana White, o presidente do UFC garantiu ter tentado de todas as formas promover uma revanche entre Aldo e Conor, mas sem sucesso com o irlandês.

Confira a entrevista completa:

Combate.com: Há diferença entre ser campeão como na sua chegada ao UFC e agora?

José Aldo: Em nenhum momento deixei de ser campeão, desde a primeira vez que ganhei até a última luta que fiz. Sempre me achei campeão, sou o campeão. Não vejo diferença, a não ser pela experiência, na idade pode ser (diferente). Continuo sendo o mesmo campeão de quando entrei, e agora da mesma maneira também. Foi só uma discussão rápida com o cinturão, mas sabia que ele ia voltar para mim.

Combate.com: Conor McGregor chamou o seu cinturão de falso, que ele é o verdadeiro dono, e seu treinador, John Kavanagh, classificou como ridículo o fato de o Ultimate te declarar campeão linear. Como lida com esse tipo de declaração?

José Aldo: Acho engraçado. Quando eu era o campeão linear e ele tinha o título interino, ele falava que era o campeão. Se ele quisesse ser o campeão, ele já tinha feito defesa, e ele não fez e nunca quis fazer essa luta. Eu sabia que ia virar o campeão, e ele sabe que o que aconteceu comigo naquela luta nunca mais vai acontecer. Era previsto eu me tornar campeão de novo. Não vejo problema algum na maneira como aconteceu, sempre falei que o importante era ter o cinturão na minha cintura. Independentemente de qualquer coisa, sou o campeão. Não estou nem aí para o que o treinador dele fala, quem é o treinador dele? Nem sei quem é. Ele também. Para mim são todos uns m...

Combate.com: Cinturão teria gosto melhor se viesse com vitória sobre McGregor?

José Aldo: Meu maior sonho sempre foi ser campeão do UFC, e sendo campeão do UFC não importa com quem eu lute. Isso que é válido. Falar na mídia é fácil, mas ninguém sabe que nos bastidores os caras estão tentando botar ele para lutar comigo e ele nunca aceitou, e nunca vai aceitar. Isso que é engraçado, isso ele não fala, isso os fãs não sabem, isso a mídia não sabe, mas foi isso que aconteceu. Desde a última vez que a gente lutou, vocês vão ver as imagens e o Dana (White) e o Lorenzo (Fertitta) foram no vestiário e falaram que a gente poderia lutar direto pela revanche ou fazer uma luta pelo título, que era normal. Enquanto isso, ele sempre negou. Na última vez que eu e Dedé fomos a Las Vegas o Dana falou isso, que já tentou botar essa luta e ele sempre negou. Na mídia é fácil dizer que o cinturão é de brinquedo e o treinador dele falar que não vale. Como não vale? Antes de ser campeão linear eu já era o campeão interino, coisa que uns meses atrás ele era também. Para mim pouco importa (com quem lutar), importante é ser campeão independentemente de qualquer coisa. Sei que ele tem medo de lutar, senão essa luta já era para ter acontecido tem tempo. Se você for ver a história do UFC, o campeão dominante sempre teve uma revanche imediata, só comigo não aconteceu. Por que isso? Isso ninguém vê, ninguém olha. Isso é porque ele nunca aceitou a luta comigo, e ele sempre escolhe um adversário que sabe que tem grandes chances de ganhar.

Combate.com: Dana White falou na reunião em Las Vegas sobre uma possível revanche com Conor?

Dedé Pederneiras: Na reunião, o Dana deixou bem claro para a gente sobre a revanche: “Não posso obrigar ninguém a lutar, já tentei de tudo quanto foi jeito e ele não quer fazer a revanche”. Foi o Dana que deixou isso claro para a gente, não saiu da nossa cabeça. O Dana deixou bem claro que não pode obrigar ninguém a lutar com o outro. Ele pode tentar induzir, oferecer, mas não obrigar. Ele falou: “Não tem como colocar uma arma na cabeça do cara e dizer que vai lutar contigo”. (...) O que causa estranheza para mim é que se você pegar o final da luta do Aldo (com Conor), ele vira para o Aldo e fala assim: “A gente pode tentar isso de novo”. Só que só foi naquele momento. Depois disso nunca mais quis.

Combate.com: Haviam prometido que uma possível revanche aconteceria após Aldo enfrentar Frankie Edgar.

Dedé Pederneiras: Quando eles quiseram a luta do Frankie (Edgar) com o Júnior, eles tinham na cabeça que o Frankie venceria. Eles já tinham programado na cabeça que o evento em Nova York seria o Conor defendendo o cinturão nos penas, por isso que ficou o embate todo do Frankie dizendo besteira para ele. Isso é uma coisa minha, que acredito. Só que não aconteceu, o Júnior foi lá e venceu de novo. E aí não aconteceu a disputa de cinturão que estava prometida. Mas o Dana agora cumpriu o que ele falou: “Ele (Conor) não vai ficar com dois cinturões. O McGregor hoje em dia bater no peito e dizer que foi o primeiro da história do UFC a ter dois cinturões, ele foi o primeiro porque antes o UFC nunca deixou isso acontecer. Só deixou ele fazer. O Aldo tentou na época campeão dos penas lutar com o Frankie e não deixaram. O Anderson (Silva) tentou ser campeão do 93kg (meio-pesado) mantendo o de 84kg (médios). Isso aconteceu com Conor e não aconteceu com ninguém porque o UFC nunca deixou ninguém fazer. Não tirando dele o mérito da conquista, mas ele só foi o primeiro a fazer e talvez o único porque vende o que vende e o UFC por conta disso deixou ele fazer. Isso é independente dessas habilidades que ele tem ou que os outros têm. Se deixassem, acho que o Aldo teria vencido o Frankie na categoria dos leves, e o Anderson com grandes chances na categoria 93kg. Ele (Conor) seria o terceiro, não o primeiro. Nunca deixaram um cara acumular dois cinturões, e fizeram isso agora, tanto é que tiraram e não deixaram ele se manter com dois cinturões, mas deixaram ele conquistar. Antes não deixaram ninguém.

Combate.com: Encararia uma luta com Conor McGregor pelo cinturão dos leves?

José Aldo: Isso abriu um precedente para todo mundo, não só com José Aldo. Vou em busca disso, todo mundo sabe, está bem claro, mas isso abre um precedente para todo mundo. Se abriu para um, como vai ser diferente para o outro? Não é só o Aldo que está vendo isso hoje em dia e pensando assim. Por tudo o que ele (Dana White) conversou com a gente na reunião, mudou nossa cabeça, literalmente. A reunião foi muito proveitosa.

Combate.com: Chegaram a conhecer algum representante da nova empresa dona do UFC? Acha que eles vão se meter no casamento das lutas?

Dedé Pederneiras: Na verdade, a gente chegou a conhecer quando chegamos (na reunião), mas ele tinha uma outra reunião em cima da hora e acabou que não podendo ficar. Ele se apresentou e depois teve que sair (...). Eles não vêm com essa expertise, a expertise deles não é essa, o casamento de lutas vai continuar com o UFC, acredito eu. Não tem porque mudar. Os caras estão metidos em lutas há 50 anos e eu faço show de rock, não posso querer casar luta. Posso até ter uma vontade, "ah, coloca João com Manoel, coloca os dois para brigar", mas se eles se meterem vão dar um tiro no pé, o que não acredito. Devem manter o grupo que trabalha com isso.

Combate.com: Aldo, o Max Holloway lhe fez muitas críticas e o acusou de covardia. Como viu suas declarações na semana passada?

José Aldo: Ele está muito próximo de disputar o cinturão, está há anos buscando isso. Pra mim não tem problema nenhum, todo mundo sabe o que vai acontecer. Isso não é problema meu, se aconteceu não foi o Aldo que fez, importante que sou o campeão e se ele vencer a próxima luta é com ele. Então não estou nem aí para o que ele fala, não assisto.

Combate.com: Por outro lado, a postura do Anthony Pettis antes de enfrentar o Holloway foi de respeito a você.

José Aldo: Cada um se vende da maneira que acha certo. Não posso falar por eles, falo pelo Aldo. Como o Aldo é o campeão, está esperando pelo próximo adversário.

Combate.com: Tony Ferguson, segundo do ranking dos leves, sinalizou com possível descida para os penas e luta com Aldo.

José Aldo: Com tudo isso que vem acontecendo nos últimos tempos com o UFC, agora todo mundo (se vê no direito), não é só o Ferguson. Todo mundo está vendo, diferente de mídia e fãs comentarem o que querem. Não, nós estamos sabendo o que está acontecendo lá dentro, a real situação. Por causa disso abre precedente para todo mundo. Hoje em dia quem tem um pouco de inteligência vai tentar ganhar o máximo possível dentro do UFC.

Combate.com: Acredita que essa situação de lutadores em diferentes divisões é boa ou ruim?

José Aldo: É uma bagunça, o UFC está uma bagunça faz tempo. Não é só com o Aldo, isso já vem acontecendo bem antes. Isso embaraçou o peso pena, agora o peso leve, o Khabib (Nurmagomedov) assinou dois contratos para lutar pelo título e não lutou. Também no 77kg, tem o Demian (Maia) para esperar, o Ronaldo Jacaré já está há muito mais tempo. Para mim tranquilo, fui campeão dominante muito tempo, mas e a situação do Jacaré que toda hora ganha de alguém e dizem que vai lutar pelo cinturão e nunca luta? E pelo jeito parece que nunca vai lutar. A bagunça está generalizada. Agora, basta o cara ter um pouco de inteligência e tirar proveito da situação.

Combate.com: O que faria diante dessa bagunça se fosse presidente do UFC?

José Aldo: Eu como presidente? Lógico que ia botar cada macaco no seu galho. Se você quer "aqui", primeiro tem que defender "aqui". Assim que tem que ser. Tem um ranking que nunca serviu de porra nenhuma, sempre foi o que eles quiseram, só serve para mídia e fãs. Eu como presidente vou valorizar meu bolso, isso que é importante, não estou nem aí. Querendo ou não, o patrão vai ganhar em cima do funcionário, e os funcionários somos nós. O quanto puderem tirar dinheiro dos atletas vão fazer. Se eu fosse presidente, faria o mesmo.

 

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