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Alisson se consolida no gol da Seleção e bate recorde do 'papai' Taffarel

15 novembro 2015 - 12h36Por Da Redação

Ao entrar em campo como titular no empate entre Brasil e Argentina, na última sexta-feira, Alisson se consolidou como goleiro da Seleção neste momento, o escolhido de Dunga, à frente dos outros convocados Jefferson e Cássio. Nova conquista do jogador que já havia feito história logo em sua estreia pela equipe nacional.

Em outubro, ao participar da vitória por 3 a 1 sobre a Venezuela, Alisson havia quebrado um recorde que se sustentava desde 1989. Ele passou a ser o goleiro mais jovem a atuar pela Seleção em eliminatórias de Copas do Mundo. Como se fosse preciso, um fato torna a marca ainda mais especial. O dono do feito era Taffarel, hoje preparador de goleiros da equipe e um dos principais mentores da ascensão do pupilo.

Em 1989, Taffarel, aos 23 anos – mesma idade de Alisson –, goleiro do Internacional – mesmo clube de Alisson –, disputou seu primeiro jogo de eliminatórias contra a Venezuela – mesmo adversário de Alisson. Só que o velho ídolo tinha 23 anos e 2 meses, e já havia disputado outras 18 partidas pela seleção brasileira. O atual candidato a ídolo estreou justamente no torneio que leva ao Mundial, mas com 23 anos e 11 dias.

A incrível semelhança entre o início de sua trajetória com a do mestre só dá ao aprendiz ainda mais esperança de fazer história com a camisa da Seleção. Taffarel é considerado um dos maiores goleiros do país, tetracampeão do mundo em 1994. Alisson não se lembra. Ele tinha um aninho de idade quando o Brasil venceu a Itália nos pênaltis. As memórias sobre seu preparador se limitam ao Mundial de 1998, mas a idolatria por ele acabou sendo hereditária.

– Eu me lembro de poucas coisas da Copa de 98, principalmente das decisões por pênaltis, mas meu pai e meu irmão são muito fãs do Taffarel, então ele virou meu ídolo, mesmo sem que eu o tenha visto jogar. Todos em minha volta o exaltavam demais, até porque ele jogou na mesma equipe que eu e teve grande história na Seleção. Espero repetir o que ele fez, ou conseguir até mais – afirmou o goleiro, que é irmão de Muriel, hoje seu reserva no Internacional.

A escalação de Alisson contra Venezuela, e, principalmente, Argentina (assista aos melhores momentos da partida no vídeo abaixo), foi o mais recente capítulo da busca de Dunga por um guardião. O técnico, aliás, é outro elemento que o destino colocou em comum nas trajetórias dos goleiros. Em 89, ele foi titular da equipe que goleou a Venezuela por 4 a 0 com Taffarel na meta, e gols de Branco, Romário e dois de Bebeto.

Agora no comando da seleção brasileira, Dunga ainda não encontrou o camisa 1 ideal para continuar em busca da vaga na Copa de 2018. A atuação de Jefferson na Copa América frustrou a comissão técnica. Diego Alves, muito provavelmente, seria o goleiro a partir daquele momento, mas uma grave lesão no joelho direito o tirou inclusive do torneio. Ele só voltará a jogar em 2016.

Nos amistosos de setembro, contra Costa Rica e Estados Unidos, Marcelo Grohe foi observado pela primeira vez. A lesão no ombro direito do gremista, na véspera de abrir as eliminatórias contra o Chile, tirou da comissão técnica a opção de escalá-lo. Naquela derrota por 2 a 0 em Santiago, aliás, o botafoguense Jefferson tornou-se o oposto de Alisson: o goleiro brasileiro mais velho a debutar em eliminatórias, aos 32 anos.

"Sorte" de Alisson, sobrevivente entre lesões e atuações pouco convincentes dos concorrentes.

– A disputa pela camisa 1 da Seleção é muito acirrada, há grandes goleiros do meu lado, o Jefferson e o Cássio, o Marcelo (Grohe) e tantos outros que vêm se destacando. Isso é importante para crescer o nível – afirmou o goleiro, que usa o número 23 e considera o empate diante dos argentinos, em que levou um gol do atacante Lavezzi, mas não teve nenhuma culpa, como o principal jogo disputado em sua carreira.

– Sou jovem ainda, tenho muita coisa para viver, já vivi algumas importantes, como decisões de Libertadores, mas até hoje nada se comparou a esse jogo. É diferente de todos os outros.

Orgulhoso, Taffarel é só elogios ao pupilo, que impressionou com belas defesas nos treinos. Para ele, a pouca idade não é um empecilho ao sucesso. É claro, ele mesmo é o exemplo.

– Eu tinha a mesma idade quando comecei a jogar na Seleção, disputei eliminatórias com 23 e fui para a Copa (em 1990) com 24. Mas eu me sentia experiente e ele se sente também. Está num bom momento, treinando bem, mostrando qualidade e segurança. É mais um goleiro com quem podemos contar – garantiu o preparador, que encara com bom humor o fato de Alisson ter um ano de idade quando ele foi um dos protagonistas do tetracampeonato.

– Às vezes ele me chama de papai (risos).