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Capitão do Brasil na Rio 2016, Perrone recebe convite para jogar pela Espanha

Segundo melhor jogador do mundo, Felipe Perrone, que tem dupla nacionalidade, pode voltar à Espanha: 'A intenção é seguir pelo Brasil, mas preciso ver o que vai acontecer com o polo nacional'

13 março 2017 - 08h55Por Globo Esporte

Considerado um dos melhores jogadores do mundo e MVP da Liga dos Campeões no ano passado, o brasileiro Felipe Perrone, capitão da seleção brasileira na Olimpíada do Rio de Janeiro, foi convidado a defender a seleção espanhola neste ciclo olímpico. Nascido no Rio de Janeiro, mas com dupla cidadania, o atleta já atuou pela seleção europeia entre 2004 e 2012. O jogador ainda não definiu seu futuro:

- Na verdade, a intenção é seguir jogando com o Brasil, mas também preciso ver o que vai acontecer no polo aquático nacional. O pessoal lá (Espanha) gostaria que eu voltasse a jogar pela Espanha. Mas por enquanto não penso nisso. Estou com 31 anos e espero que o que a gente construiu na Olimpíada contunue. Porém, o esporte no Brasil, principalmente o polo aquático, se encontra em um momento de incertezas - disse, se referindo à crise vivida na Confederação Brasileira.

Na Olimpíada, a seleção brasileira ficou na oitava posição, depois de uma grande campanha na primeira fase. Na ocasião, o time conseguiu três vitórias, uma delas, inclusive, contra a Sérvia, que seria a campeã olímpica. O time foi treinado pelo croata Ratko Rudic, tetracampeão olímpico, e contou com dois jogadores naturalizados, além de quatro (um deles, o próprio Perrone) repatriados.

No mês passado, a seleção brasileira fez sua primeira competição pós Olimpíada. Perrone foi convocado, mas optou por não jogar. O time foi campeão da Copa Uana, seletiva para o Campeonato Mundial, contando com apenas três dos 13 que jogaram a Olimpíada:

- Antes do pré-mundial, alguns jogadores foram convocados para a seleção. Pedi dispensa pelos compromissos com o clube e também pelo nascimento do meu filho - disse Perrone, que se tornou pai no dia 14 de fevereiro.

Felipe Perrone nasceu no Rio de Janeiro, jogou pela seleção brasileira no início da carreira, foi inclusive, prata nos Jogos Pan-Americanos de 2003. A partir de 2004, passou a defender a Espanha, nação na qual tinha passaporte, e jogou duas Olimpíadas, além de ter sido bronze no Mundial de 2007, em Melbourne (Austrália), e prata em 2009, em Roma (Itália). Atualmente, joga no Jug, da Croácia, um dos melhores times do planeta.

As mudanças de nacionalidades não são raridade no polo aquático mundial. O país, que jamais conseguiu uma medalha olímpica, tem três atletas que já foram ao pódio: Alexandra Araujo, carioca campeã pela Itália em 2004, Tony Azevedo, também nascido no Rio, foi vice-campeão em 2004 e foi capitão da seleção americana por mais de uma década, e Pietro Figlioli, nascido no Rio, e prata com a Itália em Londres 2012.

Ricardo Cabral, consultor de polo aquático da Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos (CBDA) explica a renovação que o polo aquático nacional está passando:

- Nosso pensamento está em 2020 e até em 2024. Convocamos três atletas acima de 30 anos, aqueles que consideramos fora de série. O Perrone, o (Slobodan) Soro e o (Jospi) Vrlic. O Soro topou seguir e os outros dois, em um primeiro momento, não toparam jogar. De resto, renovamos tudo, pensando no futuro - explicou.

Na Olimpíada do Rio, dos 13 jogadores, seis tinham um "pé" em outro país: O Brasil naturalizou dois atletas: o goleiro Slobodan Soro (sérvio) e o centro Josip Vrlic (croata). Além disso, repatriou Felipe Perrone, que nasceu no Brasil mas defendeu a Espanha por oito anos, e nacionalizou três atletas com familiares brasileiros: Paulo Salemi, Ádria Delgado e Ives González.

Salemi, um dos destaques do país no último ciclo, ainda espera voltar a defender a seleção:

- Depois da Olimpíada, falei só com o Ângelo (novo treinador da seleção), com quem tinha uma ótima relação de amizade. Vou falar com a Ângelo sobre minha volta para seleção, se tiver a condição física e ele queira de me testar, a minha resposta vai ser positiva - explicou.

Já Ádria, ainda espera o fim da temporada dos clubes para se decidir:

- Estamos numa fase de muitos jogos e muitas viagens, agora mesmo estou 100% focado no clube, quando acabar a temporada vou pensar na seleção - disse, que joga no Steaua Bucuresti, da Romênia.

Em crise profunda, a CBDA já afirmou que o Brasil não vai participar da Liga Mundial, competição que o país disputou nas últimas seis temporadas e, inclusive, levou o bronze em 2015. A preparação para o Campeonato Mundial não terá os mesmos intercâmbios que a seleção teve nos últimos três anos, e ainda não tem o planejamento definido.