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Medalhista paralímpico aos 45 anos: o francês descoberto por Johan Cruyff

Veterinário, ex-motociclista e ex-golfista, Stéphane Houdet iniciou carreira no tênis em cadeira de rodas aos 34. Atleta disputa final das duplas e tenta bronze no individual

15 setembro 2016 - 08h55Por Globo Esporte

Veterinário por formação, ex-motociclista, ex-golfista e dono de ao menos quatro medalhas no tênis em cadeira de rodas dos Jogos Paralímpicos. Esse é um resumo da vida do francês Stéphane Houdet, que, aos 45 anos, disputará a final de duplas da Rio 2016 nesta quinta, no Estádio Olímpico de Tênis, e ainda jogará pelo bronze individual na sexta. Eleito Cavaleiro da Legião de Honra da França em 2009 - honraria dada somente a 75 franceses vivos com destaque em diversas áreas -, Houdet descobriu o tênis para cadeirantes apenas aos 34 anos. Para incrementar ainda mais a sua biografia, quem o apresentou à modalidade foi o lendário ex-jogador de futebol holandês Johan Cruyff, quem ele conheceu em um torneio de golfe.

- Nos conhecemos numa competição de golfe em dezembro de 2003, quando ele me convidou para conhecer a sua fundação. Lá ele me propôs trabalhar na divulgação dos mais diversos esportes paralímpicos ao redor do mundo. Gostei do que foi proposto e, num desses trabalhos conheci o tênis em cadeira de rodas. O próprio Cruyff disse que seria uma boa para mim entrar para esse esporte, uma vez que joguei tênis na juventude e tinha acabado de amputar a perna. Foi então que decidi tentar a sorte no mundo paralímpico e aqui estou - disse Houdet.

Mais velho de uma família de três filhos, Stéphane Houdet sempre foi ligado ao esporte. Na adolescência, praticou tênis convencional, já que nasceu sem deficiência. Após passar para o vestibular em veterinária, o francês desistiu de tentar uma carreira no circuito profissional para dedicar-se aos estudos, o que não significou o afastamento completo do mundo esportivo. Ainda na faculdade, conheceu o motociclismo e começou a praticá-lo de forma amadora.

Em 1996, porém, um acidente de moto na Áustria mudou o destino de Houdet, então com 26 anos. Ao sofrer uma séria lesão no joelho esquerdo, o que deixou a sua perna praticamente sem movimento, Houdet abandonou a moto e buscou outra modalidade. A escolhida foi o golfe. Em 12 anos como golfista, acumulou conquistas nacionais e internacionais. Em 2004, depois de muitos anos de sofrimento por conta das dores e constantes inflamações na perna esquerda, o francês optou por amputar o membro para ter mais qualidade de vida. Fim de uma carreira esportiva? Não para um homem acostumado a desafios.

- Fui fazer uma travessia da Europa de moto com um grupo de amigos e acabei sofrendo o acidente. A partir de então, a minha perna não ficou boa, então eu fui para o golfe, que dava para jogar mesmo com o meu problema. Só que depois da amputação ficou mais complicado - comentou o tenista.

A transição para o tênis em cadeira de rodas foi um pouco demorada, mas em 2008, Stéphane Houdet já estava disputando a sua primeira Paralimpíada, quando foi medalha de ouro no torneio de duplas. Quatro anos mais tarde, em Londres, ganhou a prata individual e o bronze nas duplas, elevando o seu número de láureas paralímpicas para três. Neste meio caminho, acumulou títulos de Grand Slams como Australian Open, Roland Garros, Winbledon e US Open, mesmo com a idade avançada.

No torneio de simples da Rio 2016, o francês fez quatro jogos até aqui. Nesta quarta, ele enfrentou o britânico Gordon Reid, 21 anos mais novo, pela semifinal. O resultado foi de 2 sets a 0 (parciais de 7/5 e 6/2) em favor do atleta do Reino Unido, o que não baixou o astral Houdet, que tem apoio dos seus quatro filhos, que vieram da França para assisti-lo. Acostumado a enfrentar adversidades, ele acredita que a idade avançada não será um empecilho para buscar o bronze na sexta contra o belga Joachim Gerard, de 27 anos.

- Fiz um jogo muito bom, uma das minhas melhores partidas nessa Paralimpíada, mas a partir do segundo set me perdi no jogo. Quando ele abriu 5 a 1, me doei ao máximo para ganhar ao menos mais um game, consegui, mas evitar a derrota naquele momento era muito difícil. Treino muito a parte física para me manter em atividade aos 45. Tenho uma vida muito regrada também. Agora quero muito o bronze e vou me dedicar ao máximo para sair com essa medalha - frisou.

No torneio de duplas, Houdet está atuando ao lado do compatriota Nicolas Peifer, 20 anos mais novo. Na final desta sexta, eles enfrentam os britânicos Alfie Hewett (18 anos) e Gordon Reid (24). Perguntado se vai ter pique para mais uma partida de duas horas sob o sol forte do Rio, o francês foi enfático.

- Desde o meu acidente eu acredito que tudo é possível - concluiu.

 

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