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Minotauro promete garimpar novos talentos no país: 'Troca de gerações'

02 setembro 2015 - 08h05Por Globo Esporte

Não foi uma terça-feira qualquer para Antônio Rodrigo Nogueira. Emocionado, mas com o mesmo sorriso característico no rosto, o lutador anunciou a aposentadoria do MMA e o novo cargo de Embaixador do UFC. Em coletiva em um hotel na Zona Sul do Rio de Janeiro, acompanhado de Giovani Decker, presidente do Ultimate no Brasil, Minotauro fez questão de agradecer e destacar a importância do UFC em sua formação como atleta.

Foram aproximadamente 40 minutos de coletiva. Entre lembranças de grandes combates e respostas sobre a condição física nos últimos anos, Minotauro falou com orgulho do próximo desafio na carreira. Profissional desde 1999, relembrou de eventos marcantes e avaliou o momento de renovação dos lutadores brasileiros no UFC.

- Estamos numa troca de gerações. O Brasil, ao mesmo tempo que tem carência de pesos-pesados, tem o campeão (Fabricio Werdum). O Junior Cigano foi o ex-campeão. Antes do Velásquez, eu já tive o cinturão interino. No plantel do UFC Brasil não são muitos pesos-pesados. Precisamos descobrir e trazer, assim como precisamos de mais gente interessante nos 77kg (peso-meio-médio). Antes de trabalhar na empresa fui ver o que o Giovani tem, e é tudo detalhado, idade, tudo planejado, onde estamos melhor, onde está faltando. Estamos na troca de safra. Fico feliz de ver o Thominhas, o José Aldo, novo, mas já experiente. Tem muita gente para ser descoberta e melhorar ainda mais no Brasil.

Os motivos para se lembrar de Minotauro são muitos. Exemplo dentro e fora do octógono, derrotou nomes como Bob Sapp, Dan Henderson e Mark Coleman, chegando ao cinturão interino do Ultimate e título mundial no Pride. Porém, se depender do agora embaixador, a maior lembrança será o espírito guerreiro.

- Uma parte que me marcou muito na carreira, além do acidente que tive que recuperar e voltar, foi esse espírito de nunca desistir. Tive lesão nas costelas, diafragma, nos dois braços e tive isso de não desistir. Fui treinador do The Ultimate Fighter e antes da luta dos atletas falava com que enquanto a luta não tivesse acabada, ainda poderiam dar a volta por cima. O espírito é esse. Gostaria de ser lembrado por isso: "Never give up", que é o nosso lema, nunca desistir.

DECISÃO DE SE APOSENTAR

"É um momento bem importante da minha carreira. Há pouco mais de três meses, quando ele (Giovani Decker) assumiu o UFC, a gente passou a ter mais contato, recebi ligações constantes e mensagens do atual presidente e percebi uma grande preocupação do UFC, dessa relação do atleta com a empresa. Um time de futebol, fazendo uma analogia, não seria o que é se não fosse os jogadores. Esse reconhecimento do presidente da importância dos atletas foi muito importante para mim. Me fez criar a vontade de continuar o trabalho com ele no UFC, ajudando os atletas novos, estruturando a descoberta de novos talentos, mas ajudando os garotos que estão chegando, tanto na parte técnica quanto no olho. Essa foi uma conversa do Dana White comigo na minha última luta, do Lorenzo também. Agradeço a confiança dessas pessoas que são donas do maior evento da história do nosso esporte, do qual me tornei. Assistindo aquela primeira luta do Royce Gracie, fiquei abismado ao ver aquilo, o mundo do UFC em 1993. Me tornei um lutador profissional por causa do UFC, então para mim é uma honra estar passando para o outro lado e poder estar apoiando o Dana White, Joe Silva e outros nomes."

CONDIÇÃO FÍSICA

"Eu comecei a lutar profissionalmente em 1999, de lá até 2008 eu estive entre primeiro, segundo, terceiro do ranking mundial. A vida útil de muitos lutadores do MMA não chega a 8 anos. Eu vi três gerações pararem praticamente. Em 2008 meu corpo começou a reclamar, não conseguia identificar o que era. Em 2009 vimos que era o quadril, fiz cirurgias, fiquei quase seis meses andando de muleta. Faço fisioterapia quase diariamente, minha terapia é a fisioterapia. Operei joelho, braços. Então a gente não consegue ter o desempenho físico. Hoje o UFC tem a categoria de 120kg, mas antes não, e eu lutava com Semmy Schilt, Mark Coleman... Então são dores que tenho constantemente, como no pescoço. Eu sou apaixonado por treinar, eu amo essa rotina de treino. Treino todos os dias independentemente de estar lutando ou não. Hoje pela manhã acordei e fiz minha corrida, mas estou sentindo a parte física. Em 2011 quando vim de uma cirurgia do quadril, eu pedi, o Dana me chamou para lutar e disse “Rodrigo, a gente faz sua luta, mas está na hora de você parar”. Sempre teve isso de ele falar para eu parar e eu pedir para continuar. Mas eu vejo isso como cuidado, assim como ele fez outros, como Forest Griffin, ele tem um carinho comigo."