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Negociações avançam para criação de liga que organizará Brasileirão no lugar na CBF

"Vai acontecer, e eu espero que seja da maneira mais equilibrada possível para fortalecer todos os clubes"

09 junho 2022 - 17h23Por Vinícius Squinelo

A criação da Libra, a Liga do Futebol Brasileiro, dá sinais mais fortes de estar saindo do papel. Treze clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro já aderiram à proposta, e o gestor do Cruzeiro, Ronaldo, sinalizou nesta terça-feira (31 de maio) que as negociações estão em progresso.

Entre os clubes signatários estão, por ora, sete que disputam a Série A – Botafogo, Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Santos, São Paulo e Red Bull Bragantino – e seis que jogam na Série B – Cruzeiro, Guarani, Ituano, Novorizontino, Ponte Preta e Vasco. Você pode visitar o Apostagolos para conferir as principais notícias do futebol brasileiro.

“Vai acontecer, e eu espero que seja da maneira mais equilibrada possível para fortalecer todos os clubes. Eu tenho sentido que o Flamengo e o Corinthians estão bem dispostos a ceder. Eles estão liderando a galera toda. O Palmeiras, São Paulo, Santos, Botafogo – tá todo mundo querendo ceder alguma coisa”, afirmou Ronaldo durante uma live.

Segundo o ex-jogador, a questão que está no foco das discussões agora é a divisão das receitas dos direitos de transmissão. A proposta inicial da Libra é dividir 40% das receitas de forma igualitária entre os clubes, 30% de acordo com os resultados e 30% de acordo com a audiência, presença de torcedores em estádio e engajamento em redes sociais.

Os clubes que ainda não aderiram à Libra – e cujo apoio a liga tenta conquistar – preferem uma divisão que beneficie mais os clubes menores: 50% das receitas divididas de forma igualitária, 25% de acordo com os resultados e 25% de acordo com audiência, torcida e engajamento. Na sua live, Ronaldo disse que prefere essa distribuição.

As tratativas

O passo mais decisivo para a criação da Libra foi dado em março, quando um modelo de gestão foi formalizado aos clubes brasileiros em uma reunião em São Paulo. A proposta foi desenvolvida pela LaLiga, a liga espanhola, e pelas empresas XP e Alvarez & Marsal. A LaLiga, assim, deu o caminho para que os clubes alcancem uma das suas demandas antigas: tirar a organização do Brasileirão das mãos da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

A CBF sempre resistiu a ceder a responsabilidade por organizar o Brasileirão, mas os clubes impuseram a demanda em troca do seu apoio à eleição de Ednaldo Rodrigues como presidente da entidade. Rodrigues foi eleito em março com os votos de todos os clubes das séries A e B, com exceção da Ponte Preta, por uma irregularidade na procuração.

Com a criação da Libra, a CBF manteria a responsabilidade sobre a Seleção Brasileira.

Entre os principais impulsionadores da ideia da Libra estão gigantes como Flamengo, Palmeiras e Corinthians. Uma reunião realizada em 16 de março incluiu outros times das séries A e B que ainda não se uniram à proposta, como Fortaleza, Internacional e Criciúma.

Se a Libra entrar em vigor, será a partir de 2025, quando vencem os contratos atuais. A equipe que desenvolveu o modelo de negócio prevê alcançar um acordo sobre todos os aspectos da liga em 2022 para começar a estruturá-la em 2023.

Para que a liga tenha valor, são necessários qualidade de governança, compliance, acompanhamento de como o dinheiro é gasto, controle financeiro dos clubes e negociação centralizada de direitos econômicos, segundo afirmou um executivo da Alvarez & Marsal ao jornal O Estado de S. Paulo.

O grupo de desenvolvedores estima que as receitas da Libra cheguem a R$ 25 bilhões por temporada, e que a mudança na direção do Brasileirão torne o futebol brasileiro uma das principais ligas do mundo em visibilidade e arrecadação.

“Com investimento e maior estrutura, você consegue segurar os talentos e atrair jogadores importantes que hoje estão no exterior”, afirmou o presidente do Fortaleza, Marcelo Paz. Para o CEO do Botafogo, Jorge Braga, “é necessário criar um tipo novo de interação com o torcedor. Cada jogo tem de ser um show de entretenimento para quem está no estádio e para quem está em casa”.

O presidente do Internacional, Alessandro Barcellos, fez uma avaliação muito positiva das negociações: “Acredito que saímos deste encontro todos mais fortalecidos. Não foi uma imposição de regras, mas um conjunto de princípios que vai nos fazer refletir ainda mais”.

Enquanto isso, o presidente do Corinthians ressalvou que ainda há questões a serem decididas e que geram controvérsia entre os clubes. “Temos certeza de que a Liga é o melhor para o futebol brasileiro. Demoramos para agir e precisamos fazer acontecer. Para isso, precisamos nos unir. É difícil, no entanto, ter todos na mesma mesa”, disse Duílio Monteiro Alves.