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No berço do muay thai, lutador de MG faz frente a campeão na Tailândia

Edson Silva e técnico Gilbert Almeida desafiam atleta local pelo cinturão em um dos grandes eventos do país asiático. Luta termina empatada: 'Vitória para nosso país'

19 DEZ 2016
Globo Esporte
07h45min
Foto: Tarimpress/Max Muay Thai

Foram várias horas entre aeroportos, voos e conexões. Viagem cara e desgastante, mas o objetivo compensou. A temporada 2016 termina com grande feito para o muay thai brasileiro, e a fonte dessa boa notícia é uma cidade no interior de Minas Gerais. Foi de Muriaé que saíram Edson Silva e Gilbert Almeida rumo a um dos grandes desafios do mundo da luta: disputar um cinturão de muay thai contra um tailandês... na casa dele.

Tudo começou em setembro, quando Gilbert levou três lutadores para um mês de treinos na academia do mestre Pairojnoi, uma das referências na arte marcial. Os atletas brasileiros fizeram três lutas e voltaram com três vitórias, todas por nocaute. Um deles era Edson. O desempenho chamou atenção dos asiáticos, e o lutador foi convidado para uma luta na categoria até 73kg no Max Muay Thai, um dos grandes eventos do esporte no país, logo contra o detentor do cinturão.

Desafiante e técnico acabam de voltar de viagem após a luta em 4 de dezembro, em Pattaya, contra Jaowayha Sor.Sirilak, dono de um cartel com 87 vitórias. Após três rounds, a organização apontou empate entre os lutadores, e a decisão definitiva do cinturão ficou para uma possível revanche, que pode ocorrer no ano que vem. Do corner de Edson, Gilbert acredita que o mineiro fez o suficiente para ser declarado único vencedor do confronto.

– Dessa vez levei o Edson Silva, que foi convidado a lutar na luta principal pelo cinturão no Max Muay Thai. Ele venceu a luta, mas deram vitória dos dois. Ano que vem haverá a revanche pelo cinturão da categoria até 73kg. Foi uma grande vitória para nosso país. Um brasileiro pela primeira vez se dando tão bem nessa categoria – comemorou o treinador, que também é presidente da Federação de Muaythai Mineira (FMTM) e secretário-geral da Federação Internacional de Muay Thai Pairojnoi (PMIF).

Edson gostou da própria apresentação. Com o que passou no ringue e ouviu de pessoas próximas que viram a luta, também ficou com a opinião de que venceu o duelo, mas ressaltou que respeita a decisão dos árbitros e se disse pronto para a próxima.

– Sou suspeito para falar, mas todo mundo que viu a luta fala que foi vitória, que houve algum erro, porque usei mais a parte técnica do muay thai. Acho que fui superior, mas não quero questionar o trabalho dos árbitros, quero subir lá e apresentar o meu trabalho. O importante foi que para mim teve um resultado de vitória muito grande. Um cara que começou aqui do nada na cidade e chegou a um evento top de linha do muay thai – reconheceu.

HUMILDADE E GRATIDÃO

Coordenador de limpeza urbana em Muriaé, Edson não é um garoto. Tem 34 anos e pratica muay thai há cinco. Antes, ensinava capoeira na cidade. O início tardio no esporte para muitos poderia indicar um fator de limitação sobre até onde ele poderia chegar no mundo das lutas. Mas uma pessoa acreditou, desde as primeiras aulas, na capacidade física e técnica dele. E a demonstração de carinho e gratidão vem antes mesmo de o assunto ser abordado na entrevista.

– O meu professor sempre vislumbrou isso, desde quando eu comecei, ele sempre fazia essa projeção no futuro. Ele fez com que isso se tornasse realidade, a gente viu o vídeo desse evento na academia e ele disse: "Você vai lutar nesse evento, se Deus quiser". A gente começou a trabalhar forte e conseguiu. Ele é uma pessoa do bem, não deixou faltar nada para mim, custeou a viagem toda. Ele trabalhou para que isso acontecesse. Se eu alcancei isso, estive fora do Brasil, foi por esforço dele. Fiz minha parte, claro, mas sozinho não teria feito nada. Ele é a cabeça pensante por trás dos atletas. A luta é 50% para cada lado, mas se você colocar o professor junto, se torna dois contra um. É uma luta dia após dia. Começa na dieta, nos treinamentos, que são muito pesados, a nível da exaustão. Ele passou tudo, a técnica do cara, a tática que ele usa. Em cima disso a gente montou a nossa estratégia, já que a tática dele era usar a curta distância, porque é muito forte e resistente. A gente trabalhou em cima de uma tática e deu certo.

Agora, além das lembranças das primeiras experiências vividas nos últimos meses, como viajar de avião, Edson se concentra na recuperação física e garante: está pronto para a revanche.

– Eu nunca tinha viajado de avião, nunca tinha ficado tanto tempo em aeroporto esperando. Foram 24 horas de voo, fora as esperas de três, quatro horas nos aeroportos. Foi muito complicado, uma experiência única, passei em vários países fazendo escala. Sobre a revanche, estou à disposição. Vou trabalhar forte e, se aparecer a oportunidade de trabalhar novamente, ou de ele vir aqui lutar, estou aí. Agora é treinar, descansar e sarar – finalizou.

 

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